Krak dos Cavaleiros

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A arte da guerra, de Sun Tzu


A Arte da Guerra é um tratado militar escrito durante o século IV a.C. pelo estrategista conhecido como Sun Tzu.

Sun Tzu escreveu, em tiras de bambu, as palavras que compõem A Arte da Guerra. Neste clássico de 2.500 anos notamos a preocupação com estratégia e a inteligência estratégica. A primeira tradução para o Ocidente foi feita pelo jesuíta francês, Padre Amiot, em 1782. Segundo o tradutor, o livro foi usado por Napoleão, a quem ajudou a alcançar sucesso militar.

Na estratégia militar, segundo Sun Tzu, há cinco fatores constantes: Moral, Clima, Distâncias/Relêvo (logística), Método e Disciplina. O livro dá importância ao plano de guerra (planejamento estratégico) e, na guerra, ressalta a logística, o planejamento dos recursos e os custos advindos dos deslocamentos e do tempo de guerra:

Quando nos empenhamos numa guerra verdadeira, se a vitória custa a chegar, as armas dos soldados tornam-se pesadas e o entusiasmo deles enfraquece. Se sitiarmos uma cidade, gastaremos nossa força e se a campanha se prolongar, os recursos do Estado não serão iguais ao esforço. Nunca esqueça, quando as armas ficarem pesadas, seu entusiasmo diminuído, a força exaurida e seus fundos gastos, outro comandante aparecerá para tirar vantagem da sua penúria. Então, nenhum homem, por mais sábio, será capaz de evitar as conseqüências que advirão.

O pensamento estratégico advindo de A Arte da Guerra continua muito vivo no Oriente. Após a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, Akio Morita, da Sony, sentenciou que o Japão se reergueria com a vitória na guerra comercial com os países ocidentais. Vinte anos após o Japão já figurava como segunda economia do mundo, com aplicação de estratégias comerciais radicais e uma revolução na produção de produtos bons, inovadores e baratos.

Um de seus estratagemas enfatiza a importância de conhecer o inimigo – Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você conhece a si mesmo, mas não o inimigo, para cada vitória conquistada, você também sofrerá uma derrota.

Desde 1772 existem edições européias (quatro traduções russas, uma alemã, cinco em inglês) apesar de insatisfatórias. A primeira edição ocidental com uma tradução fidedigna data de 1927.

Descrito como "um trabalho ponderado e compreensivo, pleno de capacidade de percepção e imaginação", o livro trata da necessidade de se guerrear pelo menos tempo possível, perdendo menos gente e conquistando pela inteligência. O autor acreditava que um estrategista hábil poderia "submeter o adversário sem o confrontar, tomar-lhe as cidades sem as cercar e derrubar-lhe o Estado sem se ensoparem espadas em sangue". Buscava a conquista da coisa intacta, ou o máximo possível intacta - abominava a destruição desnecessária, o dispêndio de energia à toa, a perda de vidas necessárias à agricultura.

Com seu caráter sentencioso, Sun Tzu forja a figura de um general cujas qualidades são o segredo, a dissimulação e a surpresa. Hoje, o livro parece destinado a secundar outra guerra: a das empresas no mundo dos negócios. Assim, o livro migrou das estantes dos estrategistas para as do economista e do administrador.

Embora as táticas bélicas tenham mudado desde a época de Sun Tzu, esse tratado teria influenciado, segundo a Enciclopédia Britânica, certos estrategistas modernos como Mao Tsé-Tung, em sua luta contra os japoneses e os chineses nacionalistas.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

GENES EXTRATERRESTRES EM DNA HUMANO?

O mistério do DNA: uma sequência indecifrada de genes guarda o segredo da origem da espécie humana. O Projeto Genoma foi além do esperado e os cientistas estão perplexos com a descoberta de material genético que não pertence ao planeta Terra. A descoberta confere um tom a mais de credibilidade às hipóteses da origem humana como resultado de colonização da Terra realizada por viajantes cósmicos, que vieram "dos céus", como nos relatos mitológicos de culturas antigas de todo o mundo.
Cientistas que estão trabalhando do projeto Human Genome (Projeto Genoma) ficaram perplexos diante de uma descoberta: eles acreditam que 97% das chamadas "sequências não-codificadas" do DNA humano correspondem a uma porção de herança genética proveniente de formas de vida extraterrestre!
Essas sequências não-codificadas são comuns a todos os organismos vivos da Terra, do mofo, aos peixes e aos homens. No DNA humano, as sequências constituem grande parte do total do genoma, informa o profº Sam Chang, líder da equipe. Chamadas "junk DNA" (DNA-lixo - porque, a princípio, pareciam não servir para nada), as seqüências foram descobertas há anos atrás e sua função permanece um mistério. O fato é que a maior parte do DNA humano é "extraterrestre".





As sequências foram analisadas por programadores de computador, matemáticos e outros estudiosos. Com os resultados o profº Chang concluiu que o "DNA-lixo" foi criado por algum tipo "programador alienígena". Essa parcela de código genético é determinante de atributos, muitas vezes indesejados, como a imunidade de um organismo às drogas anti-cancer.
Os cientistas estão admitindo a hipótese de que uma grandiosa forma de vida alienígena está envolvida na criação de novas formas de vida em vários planetas; a Terra é apenas um deles. Não se sabe com que propósito tal experiência foi e/ou está sendo feita: se é apenas um projeto científico já concluído, em acompanhamento, uma preparação dos planetas para uma colonização ou ainda, um compromisso de espalhar a vida por todo o universo.
Segundo um raciocínio com base em padrões humanos, os "programadores extraterrestres", provavelmente, trabalham em muitos projetos voltados para a produção de diferentes estruturas biológicas em vários planetas. Devem estar tentando soluções para inúmeros problemas.
Projeto Genoma & Origens Extraterrestres da Humanidade
O prof. Chang é apenas um dos muitos cientistas que acreditam ter descoberto as origens extraterrestres da Humanidade. Chang explica que o DNA é um programa que consiste em duas "versões" (ou de dois conjuntos de informações): um código master e um código básico. O código master possivelmente não tem origem terrena.
Os genes conhecidos, por si mesmos, não explicam completamente a evolução. Mais cedo ou mais tarde, a humanidade deverá ser informada de que toda a vida na Terra tem um código genético herdado (ou "plantado" por ) de seus "primos" extraterrestres e que a evolução não ocorreu do jeito que se acreditava até então.
Além do material genético, é também possível que os extraterrestre estejam aqui mesmo, acompanhando de perto o desenvolvimento da raça humana e disseminando mais intensamente suas "sementes estelares" (star-seeds). Estes seres, "infiltrados", que estão sendo chamados de star-people ou star-children, são descritos pelos escritores Brad e Francie Steiger como indivíduos cujas almas deveriam ou poderiam estar encarnadas em mundos de outros sistemas solares, mas que vieram à Terra, nascendo em famílias humanas, para empregar seus esforços em auxiliar no processo de evolução da Humanidade.
Pessoas que alegam ter contactado estes seres, consideram-nos benevolentes ou "do bem". Entre os "contactados" alguns são conhecidos nos meios científicos: George Adamski, Orfeo Angeluci, George Van Tassel, Howard Menger, Paul Villa, Billy meier, Alex Collier. Freqüentemente, os encontros entre humanos e "infiltrados" são comprovados por evidências físicas, como fotografias e filmes, além dos testemunhos.





Erich von Däniken no interior da pirâmide de Gizé, Egito. DIREITA: Zecharia Sitchin, lingüista, especialista em escritas antigas, estudou os caracteres cuneiformes e elaborou a hipótese do 10° planeta do sistema solar, chamado Nibiru, com base no conhecimento que resgatou da mitologia Mesopotâmica. O 10° planeta seria a morada dos "mestres" e colonizadores da Terra, viajantes cósmicos: os Anunnaki, que voltam, a cada 3 mil e 600 anos, para as vizinhanças da órbita terrestre.
Astronautas
Muitos pesquisadores escreveram livros sobre a "teoria do deuses astronautas": uma raça de extraterrestres inteligentes que teria visitado e/ou colonizado a Terra em um passado remoto, durante um tempo que foi empregado em "aperfeiçoar" ou manipular a vida e a raça humana, fazendo de um primitivo hominídeo, como o homo erectus, o atual homo sapiens.
Um dos argumentos em que se apoia essa idéia é a improbabilidade de surgimento do sapiens de maneira súbita, um processo que fere os princípios do darwinismo ortodoxo; além disso, nos mitos encontrados nas culturas das mais antigas civilizações, existem descrições de eventos protagonizados por "deuses semelhantes a homens", que aparecem vindos do céu e criam a raça humana "à sua própria imagem e semelhança". O homem contemporâneo, em tudo lembra um ser híbrido, uma combinação genética de material extraterrestre com a herança do homo erectus.
Antes dos avanços tecnológicos e científicos que permitiram ao homem fazer viagens espaciais e manipular a vida através da engenharia genética, essa teoria da origem extraterrestre da raça humana, não podia ser concebida. Mesmo agora, no século XXI, existem muitas pessoas que consideram essa possibilidade uma fantasia de ficção científica.
Entretanto, as mais recentes descobertas no campo da genética entram em choque com as teorias ortodoxas da evolução enquanto a hipótese de uma intervenção de uma espécie inteligente semelhante ao homem vai deixando de ser um mero produto da imaginação. Os mais famosos entre os expoentes da teoria da intervenção de astronautas na antigüidade são o suiço Erich von Daniken [autor de Eram os Deuses Astronautas - LINK: WEBSITE] e o lingüista americano Zecharia Sitchin [link: Os Anunnaki: os deuses astronautas da Suméria].
Os Grupos de EXOPOLÍTICA
Dr. Michael E. Salla, autor de Exopolitics: Political Implications of the Extraterrestrial Presence (Dandelion Books, 2004) - é um dos fundadores do movimento de Exopolítica, cujo objetivo é obter a abertura das fontes de informação e o diálogo - com e sobre - os extraterrestres, pela afirmação de uma "democracia global" e pela qualidade de vida da raça humana como seres responsáveis e conscientes de que habitam o Universo. Sr. Salla revela que "Existe um grande número de raças extraterrestres conhecidas (por várias instituições) e elas estão interagindo com o planeta e a população humana".
Em 1998, o sargento aposentado das Forças Armadas Norte-Americanas (U.S. Army), Clifford Stone, que serviu por 22 anos, disse em entrevista que participou de operações de "resgate" (ocultamento?) de naves extraterrestres e de criaturas alienígenas - também. Stone disse existem várias raças de extraterrestres. É dele um dos testemunhos colhidos pelo D. Salla em uma série das mais completas já elaboradas.
Outro depoimento é o de Bob Dean, militar com 27 anos de carreira e muitas distinções: "Entre os extraterrestres que conhecemos existe um grupo que se parece muito conosco; podem estar sentados ao seu lado no avião ou num restaurante e ninguém perceberia a diferença."
Aparentemente, "Raças humanas extraterrestres podem se integrar facilmente nas sociedades humanas pois são indistingüíveis." Um terceiro relato é o de Allex Collier, que afirma ser "um contato" - "uma variedade de extraterrestre que fornece material para experimentos com humanos." - Collier acrescenta que: "Os humanos da Terra são um produto de manipulação genética realizada por extraterrestres. Os humanos sapiens possuem uma herança genética e seu código de DNA é semelhante a um banco de muitas diferentes memórias raciais que podem chegar a combinar elementos provenientes de 22 raças diferentes.






Zecharia Sitchin, lingüista que decifrou/traduziu antigas escrituras cuneiformes da Suméria, descobriu registros de antigos visitantes extraterrestres. Há 300 mil anos atrás os Anunnaki, do planeta Nibiru, começaram a colonização da Terra. A base de suas atividades foi a engenharia genética, por meio da qual aperfeiçoaram o homem primitivo e fizeram surgir o homo sapiens. Até hoje, símbolos esotéricos arcaicos são renovados e continuam guardando o segredo da espécie humana. A dupla hélice de DNA foi desenhada milhares de vezes ao longo da história; estilizada, duas serpentes entrelaçadas, como no emblema conhecido como caduceu - o bastão de Hermes, signo da medicina e da sabedoria desde tempos imemoriais.
Espiritualidade Religiosa
Alex Collier diz que os "ET-humanos" estão interessados em "assegurar que a humanidade como um todo, possa se desenvolver com senso de responsabilidade sem ameaçar a si mesma nem à grande comunidade galáctica da qual fazem parte. Um dos pré-requisitos para isso é elevação da consciência humana (aprimoramento), que deve começar com a implantação da unidade religiosa."
Collier, que alega ter contato com ETs, alerta que as mensagens religiosas fundamentalistas, no cristianismo, judaísmo, islamismo e outras tantas seitas são elementos hostis, de manipulação e controle da raça humana.
Jesus
Alguns pesquisadores defendem a idéia de que Jesus era um ET-humano que se empenhou em inspirar um sentimento social de Unidade; Jesus não criou nem pareceu pretender criar uma "religião Cristã" repressora da sexualidade, homofóbica, tantas vezes racista [como nas Idades Média e Moderna] e legitimadora de atrocidades como como a escravidão.
Os contatos extraterrestres de Collier informam que Jesus, de fato, existiu e não morreu na Cruz; sequer teria sido crucificado. A crucificação seria um relato simbólico, uma alegoria. Jesus teria vivido o resto de sua vida na histórica fortaleza judaica de Massada, último foco de resistência das forças israelitas contra o domínio romano.
Figuras como Jesus têm vindo à Terra periodicamente a fim de combater a saturação espiritual das massas que ficam entorpecidas pela mensagem de um sistema de crenças que enfraquece a capacidade de evolução individual e coletiva.
As religiões institucionalizadas legitimam a criação e manutenção de uma elite dirigente opressiva, que se auto-estabelece como juízes da moralidade. As elites religiosas, historicamente, têm abusado de suas regras autogeradas para exercer controle social. A religião se torna um agente colaborador e complementar ao Estado e, o que é pior, à serviço do projeto econômico que orienta o Estado. Os ETs-humanos querem "ajudar a humanidade a se libertar das estruturas de opressão através da educação edodespertar da consciência."
Eles estão Entre Nós
Em Extraterrestrials Among Us, artigo publicado em outubro de 2006, Salla afirma: "Existem evidências impressionantes, provenientes de um fontes independentes de que extreterrestres semelhantes a humanos vivem integrados com as populações dos grandes centros. Muitos relatos, de pessoas comuns, descrevem encontros com extraterrestres que transitam incógnitos entre os cidadãos das maiores cidades do planeta.
George Adamski foi o primeiro a escrever sobre os extraterrestres que vivem secretamente. Em Inside The Flying Saucers, segundo livro não-ficcional de Adamski, há o relato das experiências de contato com os alienígenas e como eles seestabelecem em sociedade, vivendo como qualquer um, tendo emprego,vivendo em condomínios, dirigindo carros.
Oito Galáxias - 135 Bilhões de Seres Humanos
Alex Collier diz que os ETs revelaram que existem mais de 135 bilhões de seres humanos em oito galáxias próximas à galáxia da Terra (a Via Láctea). Collier, que diz já ter viajado à bordo de uma nave, comentou que "Nó temos uma péssima reputação porque somos a única raça humana que mata e atormenta a si mesma, que permite a si mesma viver na pobreza; a única raça de homens que vivem sob o jugo de outros homens, que têm indivíduos sem-teto em sua sociedade, queescraviza a si mesma. Os ETs não entendem porque fazemos isso
FONTES & LINKS
Scientists find Extraterrestrial genes in Human DNA por John Stokes



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Para horror dos veganos


 

 

Você Sabe Para Que Serve Um Boi?
Muitas pessoas à primeira vista podem achar que a resposta para essa pergunta é óbvia: para produzir carne. A resposta não é tão simples assim... ele serve para produzir carne também, mas são produzidos inúmeros outros produtos a partir de um boi. Muitos desses produtos, nem mesmo os próprios pecuaristas sabem que foram produzidos a partir do produto que ele criou e vendeu ao frigorífico.

Esse é um assunto muito interessante, e com certeza vai surpreender muita gente, pois a maioria das pessoas não tem idéia do que um boi pode originar... Não vamos nem comentar sobre a carne, pois acho que todas as pessoas sabem o destino desse componente.

Vamos então começar pelo componente mais externo do boi: o couro. Além da utilização óbvia para a confecção de sapatos, cintos e roupas, o couro dá origem à gelatina neutra que será usada na indústria alimentícia na fabricação de maria-mole, chiclete, suspiros, recheios, coberturas, iogurtes, sorvetes, cremes, etc. A gelatina neutra também é usada na clarificação de vinho, cerveja e suco de frutas e em produtos dietéticos.

Na indústria farmacêutica ela é utilizada em cápsulas duras ou moles, comprimidos, drágeas, emulsões, óleos, esponjas medicinais, etc. Além disso, ela produz a gelatina fotográfica que é usada em filmes de artes gráficas, papéis fotográficos e filmes radiológicos.

A gelatina hidrolisada é usada em cosméticos, dietéticos, bebidas, alimentos líquidos e em outros processos químicos. A gelatina industrial é usada na fabricação de adesivos, abrasivos, fósforos, capsulação de corantes, etc.

Depois podemos falar de crinas e pelos que serão usadas para produção de escovas de enceradeira, escovas para armas de fogo, escovas para lavagem de garrafas, vassoura de pelo e brocha de pintor. Também são usados em luvas de boxe, poétrix (jóias e próteses). Além disto, são usados nos filtros de ar e óleo combustível dos carros.

O sebo produzido tem utilização na indústria química, nos curtumes, nas industrias de sabão, de cosméticos, indústria alimentícia, de tintas, de explosivos, indústria farmacêutica, indústria de pneus, de lápis, fábrica de velas, etc.

Os cascos e chifres são usados em artesanatos, na formação de madrepérola e pérolas artificiais. O produto da moagem entra na composição do pó de extintor de incêndios, o óleo entra na composição dos óleos da indústria aeronáutica como aditivo no lubrificante dos aviões.

A bílis é usada na indústria química e de bebidas e na indústria farmacêutica, onde os sais biliares entram na composição de remédios digestivos, reagentes para pesquisas e pomadas para contusões.

A mucosa do estômago é usada na indústria de laticínios para a fabricação do coalho. Outras mucosas e glândulas são usadas na industria farmacêutica fornecendo diversas substâncias como insulina, hormônios da reprodução, enzimas digestivas, outros compostos enzimáticos, histamina, heparina, imunoestimulantes, glucagon, oxitocina, somatotrofina bovina (hormônio do crescimento) , neurotransmissores, tiroxina (hormônio da tireóide), cerebrosídeos, etc, sendo estas substancias usadas na fabricação de remédios para uso humano.

Além disso tudo, há muitos outros subprodutos aproveitados como, por exemplo: conteúdo rumenal, usado como adubo orgânico e na produção de biogás, farinha de carne e ossos usada na fabricação de rações para cães e gatos, os intestinos são usados na fabricação de fios cirúrgicos, cordas para raquete de tênis, etc.

Dessa forma, não é exagero nenhum dizer que absolutamente tudo do boi é aproveitado, podemos dizer de forma simbólica que até o berro é aproveitado, pois pode ser gravado e utilizado em músicas e trilhas sonoras de filmes e novelas.

A pecuária e o abate de bovinos além de gerar riquezas e empregos diretamente, contribui sobremaneira para o funcionamento de diversos outros setores. Se o abate de bovinos parar haverá paralisação direta de 49 dos mais variados segmentos industriais. A pecuária é, portanto um dos principais geradores de riquezas para o país, e deve passar a ser tratada como tal. Para isso é necessária a mobilização de todo o setor para que todas essas informações cheguem à opinião pública. É para isso que trabalha o SIC, participe você também!

Fonte consultada: folheto elaborado pela APR-MT Associação dos Produtores Rurais do Mato Grosso
Autor: Leandro Bovo, médico veterinário pela UNESP Jaboticabal e Gerente Administrativo do SIC.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Hermetismo por Franz Bardon

Hermetismo por Franz Bardon


O mago incipiente vai confessar a sua fé a uma religião universal. Ele vai descobrir o que cada religião tem pontos positivos, bem como as más. Ele vai, portanto, manter o melhor possível para si mesmo e ignorar os pontos fracos, o que não significa necessariamente que ele deve professar uma religião, mas ele deve expressar admiração a cada forma de adoração, cada religião tem o seu princípio próprio de Deus, se o ponto em questão é o cristianismo, o budismo, o islamismo ou qualquer outro tipo de religião. Fundamentalmente, ele pode ser fiel à sua própria religião. Mas ele não ficará satisfeito com as doutrinas oficiais da sua Igreja, e tentará penetrar mais profundamente na oficina de Deus. E tal é o objetivo da nossa iniciação. De acordo com as leis universais, o mago irá formar o seu próprio ponto de vista sobre o universo que, doravante, será a sua verdadeira religião. Ele vai afirmar que, para além das deficiências, cada defensor da religião se esforçará para representar a sua religião como a melhor de todas. Cada verdade religiosa é relativa e da compreensão de que depende da maturidade da pessoa em causa. Portanto, o adepto não interfere com ninguém a esse respeito, nem ele vai tentar desviar alguém de sua verdade, criticá-lo, para não dizer nada de condená-lo. No fundo do seu coração, ele pode sentir-se triste por fanáticos ou ateus, sem mostrá-lo externamente. Vamos todos manter o que ele acredita e lhe faz feliz e contente. Se todo mundo aderir a esta máxima, não haveria nem ódio, nem dissensões religiosas na terra. Não haveria motivo para disputas e todas as voltas da mente poderia existir feliz lado a lado.

Uma coisa completamente diferente é, se um candidato, insatisfeito pelo materialismo e doutrinas, e saudade de apoio espiritual, vai pedir conselhos e informações de um adepto.
Nesse caso, o adepto é obrigado a fornecer o candidato com a luz espiritual e discernimento, de acordo com seus poderes mentais. Então o mago deve poupar nem o tempo nem o cuidado de comunicar a sua riqueza espiritual e liderar o candidato para a luz.


DEUS ~

Desde os tempos mais remotos, a humanidade sempre acreditou em algo além do humano
entendimento, algo transcendental, que ele idolatrava, não importa se foi questão de concepções personificada ou unpersonified de Deus. Qualquer homem foi incapaz de entender ou compreender foi imputada aos poderes superiores, tais como a sua força intuitiva admitido. Desta forma, todas as divindades da humanidade, bons e maus (demônios) ter nascido. Conforme o tempo passava, deuses, anjos, demiurgos, demônios e fantasmas foram adorados, independentemente da sua vida nunca ter sido, na realidade, ou terem existido apenas na fantasia. Com o desenvolvimento da humanidade, a idéia de Deus foi encolhendo, especialmente no momento em que, com a ajuda das ciências, foram explicados os fenômenos que anteriormente eram atribuídas aos deuses. Um monte de livros teria que ser escrito, se alguém quisesse entrar em detalhes sobre as diversas concepções de Deus na história das nações.

Vamos abordar a idéia de Deus do ponto de vista de um mágico. Para o homem comum a idéia de Deus serve como um suporte para o seu espírito apenas para não embaraçar-se na incerteza ou sair de sua profundidade. Portanto, seu Deus, permanece sempre algo inconcebível, intangível e incompreensível para ele. É bem diferente com o mago que conhece o seu Deus em todos os aspectos. Ele tem o seu Deus, com assombro, que ele conhece a si mesmo ter sido criado à sua imagem, por conseguinte, ser uma parte de Deus. Ele vê seu ideal sublime, o seu primeiro dever e seu objetivo sagrado da união com a divindade, tornando-se o Deus-homem. A ascensão a esse objetivo sublime será descrita adiante. A síntese da união mística com Deus consiste em desenvolver as idéias divinas, desde o menor até o maior passos, em tal grau a atingir a união com o universal. Todo mundo tem liberdade para abandonar a sua individualidade, ou retê-lo. Esses gênios geralmente retornam à terra confiada uma tarefa ou missão sagrada definitiva.

Neste lugar, o mago iniciado é um místico, ao mesmo tempo. Só executar essa união e desistir de sua individualidade, ele voluntariamente entrar em dissolução que no texto místico é chamado de morte mística.

É evidente que a verdadeira iniciação não conhece nem um místico nem um caminho mágico. Existe apenas uma iniciação que liga ambas as concepções, em oposição à maioria das escolas místicas e espirituais que estão lidando com os problemas mais alto, através da meditação ou outros exercícios espirituais, sem ter atravessado os primeiros passos no início. Isso seria muito semelhante a alguém a começar os estudos universitários sem ter atravessado as classes elementares primeiro. Os resultados de uma formação unilateral, em alguns casos, são desastrosas, às vezes até drásticas, de acordo com os talentos individuais. Geralmente, o erro pode ser encontrada no fato de que grande parte da matéria vem do Oriente, onde o material, assim como o mundo astral é considerado como maya (ilusão) e, conseqüentemente, pouca atenção é dada a ele. É impossível apontar os detalhes, por isso ultrapassar o quadro deste livro. Furar a uma cuidadosamente planejada, passo-a-passo do desenvolvimento, não haverá nem um acidente nem um fracasso nem más consequências, pela simples razão de que o amadurecimento ocorre lenta mas seguramente. É completamente um assunto, se os adeptos vão escolher como sua idéia de Deus, Cristo, Buda, Brahma, Alá, ou alguém. Tudo depende da idéia, no início. A vontade pura mística se aproximar do seu Deus, somente no amor abrangente. O iogue, também, caminha em direção a um único aspecto de Deus. A bhakti-yogi mantém-se à estrada do amor e devoção, a raja e hatha yoga escolher o caminho do auto-controle ou vontade, o iogue jnana seguirão a da sabedoria e da cognição.

Agora vamos considerar a idéia de Deus do ponto de vista mágico, de acordo com os quatro elementos, o assim chamado Tetragrammaton, o indizível, o supremo: o princípio do fogo envolve a onipotência ea onipotência, o princípio aéreo detém a sabedoria, pureza e clareza, a partir da qual procede a legalidade aspecto universal. O amor ea vida eterna são atribuídos ao princípio aquoso, e onipresença, imortalidade e eternidade, consequentemente pertencem ao princípio da terra. Estes quatro aspectos, juntos, representam a divindade suprema.
Vamos trilhar este caminho a esta divindade suprema prática e passo a passo, a partir da esfera menor, para chegar à verdadeira percepção de Deus em nós mesmos. Louvemos o homem feliz, que chegará ainda esta na sua existência terrena. Vamos banir o medo das dores, de todos nós vai chegar a esta meta.





sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Bernardo de Claraval



-Há alguns dias atrás passei pela experiência de um estranho sonho de que desejo dar-vos notícia.
Assim falou Bernardo de Claraval ao capítulo dos Templários reunido a seu pedido numa das salas da abadia cisterciense de Claraval.

-Nesse meu devanear pelos sombrios caminhos da noite vi-me transportado à beira de uma alta falésia frente ao imenso oceano. Logo soube (ignoro por que artes do sonho) que me encontrava na extrema costa ocidental da Ibéria, no antigo país dos Lusitanos, terra que no entanto me era desconhecida.
Diante de mim estendia-se, sob o sol enlouquece dor de luz, esse mar incógnito que tanto temor infunde nos marinheiros. Trazido pelo rijo vento do largo, mesclando com mil vozes da natura, um urgente apelo atraí-me para o horizonte distante. Mas outra força poderosa retinha-me, puxava-me para o interior das terras. E nessa contenda vacilava o meu corpo e mais ainda a minha alma!
Foi então que vi, ou me pareceu ver, erguerem-se, por breves momentos, na neblina do horizonte, as torres brancas de uma cidade prodigiosa, que, no mesmo instante, reconhecia não poderem ser outras senão as da capital da malograda Atlântida, cujo destino funesto tão vivida mente nos evocou o sábio Platão. Fascinado, dei alguns passos em frente, lançando-me no abismo que se abria a meus pés, mas estranhamente nenhum terror me invadiu, como seria natural, pois me encontrei a voar suavemente em direcção a essa visão fugaz, indiferente ao tumulto dos elementos.
À medida que ia vogando tudo se desvaneceu e tornou um tom avermelhado. Pouca a pouco fui despertando. Encontrando-me finalmente deitado na minha cela por cuja estreita janela um raio do sol nascente vinha tocar-me nos olhos. Uma nostalgia profunda desses momentos ímpares me habita ainda o espírita passados tantos dias ....
Que pensais de tudo o que acabo de vos contar?
Após um prolongado silêncio o mestre da ordem falou assim:
-A meu ver, senhor, esse vosso sonho toma o aspecto de um aceno do destino. Um destino ligado a esse extremo da Ibéria e que parece apontar para a demanda de uma Atlântida simbólica ou de misterioso! Também se me afigura que a força que vos retinha viria do coração da Hispânia, dessas nações que estando naturalmente tão empenhadas nas guerras de reconquista muito pouco dispostas se viriam em lançar-se nos perigos e incertezas de tão grande esforçada aventura marítima.
Talvez o significado profundo do vosso sonho seja que tal gesta não será possível se não houve nessa faixa ocidental da península uma nação independente, toda voltada para o mar, que possa assumir a realização de tão grandioso objectivo.
-tocaste num ponto importante, meu amigo - replicou bernardo
-e sabei quanto os vossos pensamentos estão bem perto das minhas próprias reflexões!
Pedindo a palavra um segundo cavaleiro disse então:
-Sabemos senhor, que existe nessa terra ocidental um príncipe, D.Afonso e um povo que anseiam por se tornarem independentes.
Porque não irmos ao encontro desse desejo e usando nossa forte influência favorecemos aí o nascimento de uma nova nação?
-trabalhosa tarefa, que pode exigir todo o esforço e valor que em nós pudermos encontrar, mas sedutora -retorquiu o abade após uns momentos de reflexão.
Foi nesse momento que um terceiro cavaleiro, profundo conhecedor de questões de geometria simbólica, se ergueu lentamente da sua cadeira e com um olhar intenso que parecia fintar um horizonte longínquo, muito para além das espessas paredes da abadia, assim falou:
-Quantas vezes já sonhei acordado com tal possibilidade! Deixa-me dar um alvitre, fruto de certas ideias que há muito me acalentam o espírito. A terra é um ser vivo, forças obscuras a percorrem. Podemos canalizá-las, pô-las do nosso lado. Porque não tentarmos envolver essa nova nação no escrímio estimulante de um recinto sagrado, à terra bem ligado sob o olhar benevolente dos astros?
Talvez usando mesmo aquela forma que é para nós é tão sagrada, o místico duplo quadrado.
Talvez assim, sob nossa orientação discreta, melhor se vá cumprindo o vosso sonho, as portas se abram do mar desconhecido aumente-se o mundo, a Humanidade nele e o divino nela!
Um murmúrio de aprovação acolheu estas palavras, ao que Bernardo correspondeu dizendo:
-Bem me parece que foi os céus que falaram por vossa boca! Assim vos dou a incumbência de gizares um plano detalhado que traduza essa bela ideia. Por nossa parte tudo faremos para torná-la realidade, mesmo sabem do que grandes trabalhos e dificuldades nos hão-de surgir pelo caminho. Mas não é esse, afinal, o modo de caminhar que mais fundo nos cala na alma?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

GUERREIROS VIKING


Recentemente vem ocorrendo um grande resgate da cultura Viking.
Dezenas de livros, documentários, eventos acadêmicos e descobertas arqueológicas vem demonstrando o valor da Escandinávia para o estudo da formação do Ocidente Medieval e Moderno, bem como a desmitificação de muitos estereótipos e fantasias.
[1] Dentre todas as áreas de investigação algumas das mais promissoras são os estudos de mitologia e religião pré-cristã, extremamente importantes para se entender o posterior processo de estruturação da mentalidade religiosa na Europa.
Uma das mais famosas pesquisadoras de mitologia germânica é a inglesa Hilda Davidson, autora do clássico Gods and Myths of Northern Europe, originalmente publicado em 1964 e que agora recebe a primeira tradução para a língua portuguesa.[2] Esta obra se tornou um marco das investigações na área, tanto por seu caráter sistematizador quanto pela utilização de diversos tipos de fontes, sejam elas históricas (documentos e livros de caráter nobiliárquico/institucionais), literárias, epigráficas, iconográficas e arqueológicas. A obra é dividida em oito capítulos, seguidos de uma interessante relação de referências onomásticas e de um índice remissivo.
No início da obra Davidson discute suas vinculações teóricas e influências metodológicas. Partidária de Mircea Eliade e Georges Dumézil, a autora defendia o estudo do mito para o entendimento da sociedade, da estrutura política e cultural dos povos durante a História. Para ela, somente o estudo comparado do mito poderia fornecer elementos para os pesquisadores contemporâneos conseguirem entender a motivação e o significado simbólico destas narrativas para as sociedades antigas. Assim, Davidson realizou um estudo comparativo do panteão escandinavo com as formas míticas mais antigas, como os germanos do período das migrações, procurando encontrar padrões em comum entre os simbolismos míticos destas sociedades.[3]
No primeiro capítulo, O mundo dos deuses do Norte, a autora discute questões genéricas relacionadas com as fontes sobre a mitologia germânica: a poesia dos skålds na Escandinávia pagã, a questão da influência do referencial cristão na literatura do período pós Era Viking, as estruturas míticas da Edda em Prosa e Poética. Trata-se de uma parte essencial para aqueles que ainda não tem um conhecimento detalhado sobre a temática, tanto quanto uma importante introdução na crítica de fontes manuscritas da Idade Média (heurística medieval).
O segundo capítulo, Os deuses da batalha, dedica-se à interpretação dos cultos religiosos relacionados ao mais importante deus do panteão germano-escandinavo, Óðinn (Odin). Aqui, a autora inclui-se em uma interpretação historiográfica muito importante na medievalística nórdica, a de que os cultos no mundo germânico não eram centralizados, sem organização de uma instituição central, não hierarquizados, sem uma fé comum, variáveis conforme a região e a classe social.[4] O deus Óðinn era o mais cultuado pelos nobres e reis (konungars), sendo por isto mesmo a principal divindade na literatura escandinava, associado com a magia e a guerra. Seu culto estava associado com sacrifícios violentos e personagens marciais como as valkyrjor (valquírias), as virgens condutoras dos guerreiros mortos em batalha para o palácio de Valhöll (Valhala, “salão dos mortos”).
Outro destaque na interpretação da autora é para os berserkir (“os que portam camisas de urso”), guerreiros fanáticos dedicados ao culto de Óðinn, utilizados amplamente como mercenários e guardas de elite na Escandinávia da Era Viking. Este mesmo deus volta a ser interpretado em outro capítulo do livro (Os deuses dos mortos), onde Davidson dedica-se a resgatar aspectos relacionados com funerais e magia, inclusive analisando a figura de Óðinn como xamã.[5] Outra importante questão enfocada pela autora é a disputa entre algumas crenças religiosas nas sociedades nórdicas, especialmente entre os cultos odínicos e os relacionados à fertilidade.[6]
O próximo capítulo, O deus do Trovão, dedica-se ao estudo da mais popular deidade entre os Vikings, Þórr (Thor). Herói relacionado na luta contra as forças do caos e especialmente vinculado com fenômenos atmosféricos e árvores, este deus foi o favorito dos camponeses e agricultores, a exemplo dos colonos da ilha da Islândia.
As divindades relacionadas com a fertilidade são resgatadas no capítulo 4 (Os deuses da paz e da abundância). O deus Freyr, associado com os reis, e sua irmã Freyja são os mais importantes. Freyja recebia importantes cultos mesmo após a introdução do cristianismo na Escandinávia, além de possuir toda uma série de mitos associados com a vida após a morte dos guerreiros. Também Freyja era envolvida com um tipo de magia conhecida como seiðr (“canto”), possivelmente influenciada pelo xamanismo lapônico e que era utilizado para fins proféticos, curativos e de fertilidade ou prosperidade da comunidade em questão. O seiðr também foi representado nas fontes literárias como uma magia negativa, utilizada para fins maléficos ou destrutivos. Assim, a deusa Freyja possuía dois aspectos principais tanto na religiosidade quanto no pensamento mitológico: relacionada aos princípios de perpetuação das famílias e outro mais terrível, ligado à morte.
Algumas divindades mais obscuras e pouco conhecidas foram analisadas por Hilda Davidson em outro capítulo (Os deuses enigmáticos), como Baldr, Bragi, Íðunn, Mímir, Forseti, e especialmente Loki. Este último deus foi uma figura extremamente complexa, enigmática, sinistra e, às vezes cômica, especialmente citado e representado iconograficamente pelas fontes do período cristão, associado diretamente com Satanás. Por sua vez, o deus Baldr foi interpretado por Davidson a partir de uma perspectiva diferenciada. Não existem evidências de um antigo culto a Baldr antes da Era Viking, o que leva alguns pesquisadores a afirmarem que foi um mito criado pelo cristianismo, ou como sugere a autora, um antigo herói que foi divinizado.
O capítulo O começo e o fim apresenta algumas considerações sobre cosmogonia (a criação do universo e dos seres) segundo a mitologia germânica, além das concepções escatológicas (o fim dos tempos). Assim como para muitas crenças de origem indo-européia e euro-asiáticas, os Vikings acreditavam que a estrutura física do universo e mesmo as noções de tempo e destino, estavam intimamente relacionadas com uma árvore, denominada de Yggdrasill. O mais interessante porém, fica por conta das narrativas do fim do mundo, conhecidas por Ragnarök, onde todos os principais deuses morrem. Neste momento específico, Davidson rompe com muitos pesquisadores, negando a influência do referencial cristão na elaboração destas narrativas, que para ela teriam conotações essencialmente paganistas.
A última parte do livro é A despedida dos antigos deuses, um balanço acerca das características gerais da religiosidade nórdica e do período de transição para o cristianismo. Parte dos elementos míticos e religiosos dos Vikings era relacionados com o ambiente geográfico em que viviam, ou mesmo explicado por ele, enquanto que o restante foi intimamente ligado às estruturas jurídicas, políticas e econômicas da sociedade nórdica. Um momento muito interessante é a discuss ão que a autora estabelece acerca do público dos mitos: a receptividade das narrativas orais dependia da classe social e da região em que a mesma foi propagada. A falta de uma organização central favoreceu a variação de cultos e crenças. Para a autora, o individualismo da religiosidade Viking foi a maior causa de seu declínio com a chegada da nova fé, o cristianismo. Com a mudança do estilo de vida dos homens nórdicos, a partir do século X, o paganismo já não oferecia os mesmos vínculos sobrenaturais, confortos materiais e satisfações cotidianas que antes.
Infelizmente a obra apresenta diversos problemas de editoração. Em primeiro lugar, a tradução cometeu muitos erros como “Palácio dos derrotados” (a tradução mais correta do inglês para o português seria ‘salão dos que morreram em batalha’, p. 206); “Oseburg” (o correto é Oseberg, p. 114); “Destruição dos poderes” (Consumação dos destinos dos poderes supremos, p. 203); “100 d.C.” (na realidade seria século IX d.C., p. 115); “Odim (...) perfurado por uma espada” (Gungnir é uma lança, p. 122); “deflagrando” (inaugurando, p. 146); “eterna representação” (eterno retorno, p. 172); “um tanto patética” (um tanto estranha, p. 81). Algumas frases traduzidas não tem sentido nenhum, como em “A serpente mundial, enrolada ao redor da terra, embaixo do mar, que é uma mudança livre em Ragnarok” (p. 201). O correto seria traduzir a última frase por: liberta-se no Ragnarök. Erros de impressão permeiam toda a obra, como “poeterior” (posterior, p. 55), “durane” (durante, p. 166), sepente (serpente, p. 201). O tradutor também não seguiu nenhum critério para a transcrição de termos do nórdico antigo, pois enquanto a obra original conserva os mesmos, a edição brasileira optou por adaptar alguns (como Odim, que na maioria das adaptações ao português é Odin; Frei, o correto seria Freir ou Freyr; Tor, a grafia mais recomendada seria como nas línguas germânicas modernas, Thor), enquanto que em outras ocasiões as palavras permaneceram na versão original (a exemplo de seiðr, seiðkona, Niðhøggr, Yggdrasill).
Esperamos que outras importantes obras relacionadas com a História e a mitologia da Escandinávia futuramente venham a ser traduzidas em língua portuguesa, mas que tenham uma editoração e tradução muito mais criteriosa, não somente beneficiando os pesquisadores de medievalística, mas também a todos os que tem interesse em estudos de sociedades e culturas históricas em geral.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Deus - Uma biografia

Deus - Uma biografia
Pesquisadores revelam que Javé, o grande personagem da Bíblia, não foi visto sempre como Deus único. Antes do Livro Sagrado, ele era só mais um entre muitas divindades. Saiba como Deus conquistou seu espaço no céu. E na Terra
Deus criou o Universo.
Deus está em todos os lugares.
Deus é a força que nos une.


Cada sociedade vê a figura do Criador à sua maneira. Cada indivíduo, até. Para Einstein, Ele era as leis que governam o tempo e o espaço - a natureza em sua acepção mais profunda. Para os ateus, Deus é uma ilusão. Para o papa Bento 16, é o amor, a caridade. "Quem ama habita Deus; ao mesmo tempo, Deus habita quem ama", escreveu em sua primeira encíclica.

Pontos de vista à parte, toda cultura humana já teve seu Deus. Seus deuses, na maioria dos casos: seres divinos que interagiam entre si em mitologias de enredo farto, recheadas de brigas, lágrimas, reconciliações. Os deuses eram humanos.

Mas isso mudou. A imagem divina que se consolidou é bem diferente. Deus ganhou letra maiúscula na cultura ocidental. Os panteões divinos acabaram. Deus tornou-se único. É o Deus da Bíblia, Javé, o criador da luz e da humanidade. O pai de Jesus. Essa concepção, que hoje parece eterna, de tanto que a conhecemos, não nasceu pronta. Ela é fruto de fatos históricos que aconteceram antes de a Bíblia ter sido escrita. O próprio Javé já foi uma divindade entre muitas. Fez parte de um panteão do qual não era nem o chefe. O fato de ele ter se tornado o Deus supremo, então, é marcante: se fosse entre os deuses gregos, seria como se uma divindade de baixo escalão, como o Cupido, tivesse ascendido a uma posição maior que a de Zeus É essa história que vamos contar aqui. A história de Javé, a figura que começou como um pequeno deus do deserto e depois moldaria a forma como cada um de nós entende a ideia de Deus, não importando quem ou o que Deus seja para você.

Criança
No princípio, Ele não sabia falar. Só chorava, grunhia e balbuciava. Deus era uma criança. Uma não, muitas: um deus era a chuva, outro deus, o Sol, mais outro, o trovão... Os deuses eram as forças por trás de uma natureza inexplicável para os primeiros humanos da Terra. Facetas de divindades borbulhavam em cachoeiras, galopavam com os cavalos selvagens, voavam com o vento, escondiam-se em cada rochedo, bosque ou duna do deserto. E do deserto veio a que daria origem ao Deus para valer.

Deuses nasceram do pôquer. A crença em divindades provavelmente vem da capacidade humana de detectar as intenções das outras pessoas. Somos muito bons nisso desde que surgimos, há 200 mil anos, e precisamos ser mesmo, porque o Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passa na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é.

E a melhor maneira de tentar se antecipar a um adversário nos jogos mentais do dia a dia é imaginar as intenções dele: "O que será que ele pensa que eu estou pensando?" Nosso cérebro é uma máquina de pôquer.

Pesquisadores como o antropólogo francês Pascal Boyer defendem que esse sistema de detecção de intenções pode acabar aplicado a coisas que não têm intenções de nenhum tipo - como a chuva, ou o Sol. A ideia de que há espíritos de toda sorte da natureza seria, assim, um efeito colateral do nosso sistema de detecção de mentes, tão hiperativo.

Por esse ponto de vista, a espiritualidade faz parte dos nossos instintos. É quase tão natural acreditar em divindades quanto comer ou dormir.

Cada fenômeno da natureza, então, representava as intenções de alguma divindade. É como ainda acontece nas tribos de caçadores-coletores de hoje. Entre os índios tupis, os trovões são a raiva do deus Tupã. E fim de papo.

Obras de arte de mais de 30 mil anos atrás dão outra pista sobre essa espiri-tualidade primitiva - que podemos chamar de "infância de Deus" (no caso, dos deuses). Elas mostram seres que misturam características humanas e animais - sujeitos com cabeça de leão ou de rena e corpo de gente, por exemplo.

Acredita-se que essas criaturas híbridas representem um tipo de crença que ainda é comum nas tribos indígenas: a de que não haveria separação rígida entre o mundo dos humanos, o dos animais e o dos espíritos. Seria possível transitar entre essas esferas se você possuísse o conhecimento correto, e, em tese, qualquer falecido, seja pessoa, seja bicho, pode ter um papel parecido com o que associamos normalmente a um deus.

Os deuses abandonam de vez as feições animais quando os bichos se tornam menos importantes no nosso cotidiano. Foi precisamente o que aconteceu quando a agricultura foi criada, há 10 mil anos, no Oriente Médio. Graças a ela, montamos as primeiras cidades. E a nossa espiritualidade progrediria junto: acabaria bem mais centrada nas pessoas que na natureza selvagem.

Há sinais de que ancestrais mortos eram as grandes entidades com status divino nessas primeiras cidades. Um exemplo arqueológico vem de escavações em Jericó, uma das mais antigas aglomerações humanas, que hoje fica no território palestino da Cisjordânia. Os habitantes de Jericó enterravam o corpo de seus mortos, mas guardavam o crânio, que era recoberto com camadas de gesso e tinta, simulando o rosto humano. Assim preparada, a caveira talvez servisse de oráculo doméstico - uma espécie de deus particular para cada família.

Os artesãos de crânios de Jericó não tinham escrita - aliás, passariam mais de 5 mil anos até que essa tecnologia fosse inventada. Quando isso finalmente aconteceu, em torno do ano 2000 a.C., os deus ficaram bem mais sofisticados.

Entraram em cena criaturas ao estilo dos habitantes do Olimpo na mitologia grega. Em parte, alguns deles até eram mesmo personificações das forças da natureza, mas agora eles ganhavam personalidades e biografias complexas.

É aí que está a origem do grande personagem desta história: Javé, uma divindade que provavelmente começou como um deus menor, cultuado por nômades. Bem antes de a Bíblia ser escrita.
Cabeça de leão
Estátuas e pinturas de povos caçadores, que viviam nas cavernas da Europa há 30 mil anos, mostram figuras que misturam formas de homens e de animais. Tudo indica que esses foram os primeiros deuses a habitar a mente humana.

Jovem
O rapaz era uma divindade dos desertos do sul. Junto com seus poucos súditos, chegaria à pulsante Canãa, domínio do deus El, o altíssimo. Ao lado do soberano, a mãe de divindades e homens, Asherah, senhora de tudo o que é fértil, e seu sucessor, Baal, o deus que dava chuvas àquelas paisagens àridas. Tudo na santa paz. Eles só não imaginavam que Javé tramava a destruição deles.

Ele começou de baixo. Era só mais um deus entre vários outros de sua região. Só que na Bíblia Javé é identificado como o Deus único. Hoje, cogitar a existência de outras divindades que teriam convivido com o Senhor da Bíblia é um absurdo do ponto de vista religioso. Mas não do ponto de vista científico. Pesquisadores de várias áreas - arqueólogos, linguistas, teólogos - estão encontrando pistas sobre uma provável "vida pregressa" de Javé. Uma vida mitológica que ele teve antes de seu nome ir parar na Bíblia como o da entidade que criou tudo.

Onde pesquisar isso? A própria Bíblia é uma fonte. O Livro Sagrado não foi feito de uma vez. Trata-se de uma coleção de textos escritos ao longo de séculos. O Pentateuco, os 5 primeiros livros da Bíblia, foi finalizado por volta de 550 a.C. Mas há textos ali de 1000 a.C., ou de antes. E nada disso foi editado em ordem cronológica - em grande parte, a Bíblia é uma junção de textos independentes, cada um escrito em tempos e realidades diferentes.

Como saber a que tempo e a que realidade cada um pertence? Pela linguagem. Pesquisadores analisam as expressões do texto original, em hebraico, e vão comparando com a de documentos encontrados em escavações arqueológicas, cuja datação é fácil de determinar. Com esse método, chegaram a uma descoberta reveladora. Alguns poemas da Bíblia dão a entender que Javé era uma divindade de lugares chamados Teiman ou Paran - dizendo literalmente que o deus veio dessas regiões. E esses textos estão justamente entre os mais antigos - se a língua do livro fosse o português moderno, eles estariam mais para Camões.

Teiman e Paran eram lugares desérticos fora das fronteiras onde viviam os homens que escreveram a Bíblia. Não se sabe exatamente que regiões eram essas, já que os nomes dos territórios vão mudando ao longo dos séculos. "Mas arqueólogos supõem que essa região seja no noroeste da atual Arábia Saudita", diz Mark Smith, professor de estudos bíblicos da Universidade de Nova York. E isso diz muito.

Os autores dos primeiros textos da Bíblia viviam na antiga Canaã - uma região do Oriente Médio onde hoje estão Israel, os territórios palestinos e partes da Síria e do Líbano. Ali se formaram algumas das primeiras civilizações da história, há 10 mil anos. E por volta de 1000 a.C. já era um território disputado (como nunca deixou de ser, por sinal). Estava dividido numa miríade de tribos, as dos israelitas, a dos hititas, a dos jebedeus...

Apesar das rivalidades, todas tinham culturas parecidas. Reverenciavam o mesmo panteão de deuses, por exemplo. Mas Javé, pelo jeito, não era um deles. Teria sido importado das áreas mais desérticas do sul.

Outra evidência disso é a associação de seu nome com os chamados shasu. Shasu é um termo egípcio que significa "nômade" ou "beduíno". Algumas inscrições egípcias mencionam um "Javé dos Shasu".

Uma possibilidade, então, é que nômades do deserto teriam se incorporado às tribos israelitas, trazendo o novo deus com eles. Essa divindade se embrenharia no meio da grande mitologia desse povo: o panteão de deuses cananeus. Mas quem eram essas divindades? As melhores pistas a esse respeito vêm de Ugarit, uma antiga cidade encontrada durante escavações arqueológicas na atual Síria. Ela foi destruída por invasores em 1200 a.C., quando os israelitas ainda eram um povo em formação. As inscrições encontradas ali, então, servem como uma cápsula do tempo. Revelam o contexto cultural em que nasceu a mitologia israelita, mostra como era a mitologia dos antepassados dos escritores da Bíblia. E os deuses em que eles acreditavam seriam fundamentais para a biografia de Javé. O panteão de Ugarit é bem grandinho, mas algumas figuras se destacam. Há o pai dos deuses e dos homens, o idoso, bondoso e barbudo El; sua esposa, Asherah, deusa da vegetação e da fertilidade; a filha dos dois, Anat, feroz deusa do amor; e o filho adotivo do casal, Baal, deus da guerra e da tempestade que morre, ressuscita e derrota as divindades malignas Yamm (o Mar) e Mot (a Morte).

Muitos estudiosos especulam que as tribos is-raelitas originalmente tinham El como seu deus supremo. Afinal, o nome do povo bíblico também termina com o elemento -el. "Esse tipo de nome próprio, conhecido como teofórico (‘portador de um deus’, em grego), costuma dar pistas sobre o ente divino que o dono do nome venera", diz Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Mas os indícios a respeito de El vão além da nomenclatura. O deus cananeu também tem uma relação especial com os chefes de clãs, prometendo-lhes uma vasta descendência - exatamente o que Deus faria depois na Bíblia ao selar uma aliança com os ancestrais dos israelitas, Abraão, Isaac e Jacó. "El é o deus desses patriarcas", diz Christine Hayes, professora de estudos judaicos de Yale.
Deus do deserto
Javé pode ter sido uma divindade trazida do deserto por nômades que se embrenharam nas tribos is-raelitas, quando elas ainda estavam em formação na região de Canaã. Aí ele se junta aos deuses cananeus, como Baal e El, o altíssimo.

Adulto
"Israel é a minha herança", brada o impetuoso deus do deserto. Diante dele, a assembleia dos deuses de Canaã se sente cada vez mais intimidada. E, numa escalada de poder sem precedentes, o guerreiro chega a ser considerado idêntico ao próprio El como criador e governador do mundo. A própria esposa do antigo senhor dos deuses passa às mãos do novato.

Uma ameaça pairava sobre os deuses de Canaã. Era a ambição de Javé. O novo deus começou a buscar seu lugar entre as antigas divindades cananeias. E teve sucesso. Com sua personalidade forte, foi ganhando espaço dentro da mitologia israelita, tomando o terreno dos deuses criados pelos povos cananeus.

A maior prova disso está em outro texto poético dos mais antigos da Bíblia, o Salmo 82. Ele nos apresenta o chamado "conselho divino": uma espécie de Câmara dos Deputados dos deuses, na qual eles se reúnem para discutir assuntos importantes - um indício de que o Salmo foi escrito antes do próprio início da Bíblia, que já começa apresentando Javé como Deus único. A ideia, ali, é que El preside o conselho e seus filhos ou subordinados discursam. Lá, Javé aparentemente perde a paciência: "Deus se levanta no conselho divino,/em meio aos deuses ele julga:/"Até quando vocês julgarão injustamente,/sustentando a causa dos injustos? (...) "Eu declaro: embora vocês sejam deuses,/e todos filhos do Altíssimo,/morrerão como qualquer homem". Trocando em miúdos menos rebuscados: "Quem manda aqui sou eu".

É difícil dizer a que período da história israelita corresponde esse momento em que, na imaginação religiosa das pessoas, Javé começou a impor sua vontade perante os deuses cananeus. Talvez o fenômeno tenha a ver com a consolidação de Israel como povo distinto dos demais cananeus: a adoração a uma divindade unicamente israelita pode ter emergido como um elemento-chave nessa consciência "nacionalista" dos ancestrais dos judeus.

Para completar essa nova fase na vida do Senhor, que poderíamos chamar de começo da vida adulta, falta ainda um elemento crucial. Lembre-se do impe-tuoso deus guerreiro Baal. O que parece ocorrer, segundo Mark Smith e outros especialistas, é que Javé se "baaliza", virando uma mistura de El e Baal, com ligeira predominância do segundo.

As evidências: Javé e Baal estão associados a tempestades, vulcões, fogo e terremoto; ambos são guerreiros invencíveis que habitam o alto de montanhas (Baal vive no lendário monte Zafon, Javé, no Sinai). E a semelhança fica ainda mais detalhada.

Na tradição mitológica de Canaã, quem tinha triunfado contra Yamm, o deus caótico do mar, era Baal, mas os textos da Bíblia atribuem essa vitória - adivinhe só - a Javé. Mais sugestivo ainda: alguns Salmos parecem ter sido originalmente hinos a Baal que acabaram adaptados para o culto ao Senhor dos israelitas. Só que Javé vai muito além das intervenções típicas de Baal no mundo. Na mitologia israelita, sua grande vitória não é contra o mar, mas, sim, usando o mar como arma contra o faraó que tinha escravizado o povo hebreu no Egito. Escolhendo o profeta Moisés como seu emissário, conforme conta o livro bíblico do Êxodo, o novo deus guerreiro puniu os egípcios com uma sucessão de pragas e, como grand finale, destruiu "carros de guerra e cavaleiros" do faraó afundando-os no mar.

A diferença em relação a Baal é que o Senhor seria capaz de agir não só num passado mítico mas na própria história dos israelitas. Ele é literalmente "o Senhor dos Exércitos de Israel", aquele que promete a vitória em batalha em troca da fidelidade religiosa do povo. Daí em diante, Deus nunca deixa de ser, em grande medida, um guerreiro.

Além de herdar o trono de El na mitologia israelita, Javé também pode ter levado Asherah, a mulher do velho deus. Eis aí uma possibilidade para a qual a Bíblia não prepara seus leitores. Os profetas bíblicos vivem chiando contra o fato de que os israelitas estariam se "prostituindo" (metaforicamente, e talvez literalmente também, via orgias rituais) nos altares de Asherah. Mas inscrições achadas ao longo do século 20, como as de Kuntillet Ajrud, um pit stop de caravanas no deserto do Sinai, poderiam indicar que o deus e a deusa não eram inimigos, e sim um casal.

As inscrições, datadas em torno do ano 800 a.C., dizem coisas como "a bênção para ti por Javé de Teiman e sua Asherah". Seja como for, mesmo se o casamento ainda existisse, Javé logo optaria por um divórcio - daqueles litigiosos, barra-pesada, nos quais o pai joga os filhos contra a mãe.
Casal maior
Inscrições do do século 9 a.C. dão a entender que Javé tinha se casado com Asherah, a maior divindade feminina de Canaã. Era uma interpretação israelita da mitologia da região: o deus daquele povo tomava para si a esposa de El.

Homem feito
A última resistência da antiga assembleia divina parte de Baal. Sem pestanejar, Javé o elimina. Asherah tem o mesmo destino trágico. Daqui por diante ele estará sozinho nos céus. E alcança a serenidade. Hora de fazer as pazes com a humanidade. E um sacrifício.

Seu grande momento estava chegando. Era a hora da virada para Javé. Ele deixaria de ser mais um deus. E viraria o Único. No mundo real, esse momento teve data: foi a reforma religiosa introduzida por Josias (649 - 609 a.C.), rei de Judá. Antes, porém, um interlúdio político.

Àquela altura, a nação das tribos israelitas de Canaã tinha sido dividida em dois reinos. Um ao norte, o de Israel, e um ao sul, o de Judá. E o de cima havia sido derrotado e conquistado pelo Império Assírio.

Josias não queria o mesmo destino. E parte de seus esforços para fortalecer a unidade interna de Judá e resistir aos invasores foi uma maior centralização da vida religiosa do reino. Para isso, ele começou a transformar Javé no único deus adorado por seus súditos. Por decreto: destruindo altares a outras divindades, como El, Baal... E Asherah. Esse foi o divórcio.

Também é possível que date do reinado de Josias o ataque final dos fiéis de Javé ao culto a Baal, muito criticado pelos profetas dessa época. Para a maior parte dos israelitas, não era problema adorar a Javé e a Baal ao mesmo tempo. É que outra especialidade do antigo deus cananeu era a agricultura - ele mandava chuva para regar as colheitas. Até então, embora Javé tivesse tomado conta das funções guerreiras de Baal, nada indicava que ele também pudesse bancar o regador de plantas. Mas os profetas israelitas passam, então, a afirmar que o mandachuva era ele.

Essa expulsão definitiva de Baal do panteão explica o episódio do bezerro de ouro durante a passagem dos israelitas pelo deserto. Para quem não se lembra: o povo de Deus, cansado de esperar que Moisés volte do monte Sinai, constrói uma estátua de ouro de um bezerro (emblema de Baal). Tanto Moisés quanto Javé ficam enfurecidos, e milhares de israelitas morrem como punição pela infidelidade do povo.

As ideias de Josias marcariam para sempre a visão que temos de Deus. E mais ainda depois que esse rei acabou morto. Na geração dos filhos do monarca reformista, o reino de Judá seria riscado do mapa e Jerusalém, a capital, acabaria conquistada pela Babilônia. Mas a adversidade do povo teve o efeito oposto em sua fé. No mundo mitológico, Javé se fortalecia como nunca. Com a nação agora indefesa militarmente, era a hora de reafirmar que o deus da nação, ao menos, era todo-poderoso. Nisso os profetas israelistas diziam que só Javé tinha existência, vida e poder; os outros deuses eram meras imagens de pedra, metal ou madeira. Era nada menos que a inauguração do monoteísmo: um momento tão importante na história da espiritualidade quanto a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano seria bem mais tarde. E era esse Javé único que iria para a Bíblia. E se tornaria a imagem de Deus no mundo ocidental.

Um Deus, agora, não só dos israelitas. Mas da humanidade inteira. O Deus que criou o mundo, que fez o homem à sua imagem e semelhança. E que, de certa forma, era a imagem e semelhança do Javé pré-Bíblia: o Deus guerreiro, militar, que pune com rigidez os erros de seus adoradores. O Velho Testamento está recheado de castigos divinos: dos mais leves, como transformar o fiel Jó, um milionário, em um mendigo, como um teste para sua fé, até o dilúvio universal - praticamente um restart no mundo depois de ter concluído que a humanidade não tinha mais jeito. A justificativa para tal comportamento está na própria história de Israel. A ideia era acreditar que os maus bocados pelos quais a nação passou nas mãos de assírios e babilônios eram provações divinas, que, se o povo mantivesse sua fé, tudo acabaria bem.

Mas Deus surge na Bíblia como algo mais complexo que um mero feitor. Usando os paralelos deste texto, seria como se Ele tivesse amadurecido depois que Josias e os profetas o aclamam Deus único. Javé fica menos humano, menos falível. Passa a ser uma entidade transcendental de fato. Começa a afirmar aos seres humanos que "os meus caminhos não são os seus caminhos" - a ideia hoje familiar de que Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas o caráter divino só se completaria mesmo no século 1. O primeiro século depois de seu filho, quando o Novo Testamento foi escrito. É a metamorfose mais radical do guerreiro Javé. Encarnado na figura de Jesus, Deus apresenta uma nova solução para a humanidade. Em vez de castigar ou destruir os homens mais uma vez, decide purgar os pecados dos mortais com outro sacrifício: o Dele próprio. Morre o corpo do Deus encarnado, não o espírito divino. Este, agora mais sereno, continuou zelando por nós. E assim será. Até o fim dos tempos. E acaba assim a nossa história, certo?

Claro que não. A saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopeia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência. Nesse aspecto, continuamos tão perdidos quanto os antigos que não sabiam por que o trovão trovejava ou o que as estrelas faziam pregadas no céu. Ainda não sabemos por que estamos aqui. E a única certeza é que vamos continuar buscando respostas. Seja o que Deus quiser.