Krak dos Cavaleiros

terça-feira, 31 de maio de 2011

O Código Secreto de Leonardo da Vinci




Durante séculos ela tem sido uma das obras de arte mais famosas do mundo. A Última Ceia de Leonardo da Vinci é o único fragmento restante da igreja de Santa Maria delle Gra­zie, nos arredores de Milão. A parede em que está pintada foi a única que permaneceu de pé após o bombardeio aliado na II Guerra Mundial ter transformado em ruínas a antiga construção. Embora outros artistas admiráveis como Ghirlandaio e Nicolas Poussin e até mesmo o idiossincrático pintor Salvador Dali tenham apresentado ao mundo suas visões dessa cena bíblica repleta de significados, é a obra de Leonardo que, por alguma razão, parece ter sido capaz de capturar a imaginação da maioria de nós. É possível encontrar, em qualquer lugar do planeta, as mais diferentes versões da Última Ceia de Leonardo, com todos os matizes possíveis de gosto, do sublime ao ridículo.
Algumas imagens são tão familiares para nós que nunca as examinamos com uma atenção verdadeira, e embora estejam ali, à nossa frente, totalmente expostas ao olhar do observador, convidando-nos para um exame mais cuidadoso até que finalmente as capturemos em um nível mais profundo e significado, continuam, na verdade, a ser como as páginas de um livro fechado. Assim é com a Última Ceia de Leonardo e, inacreditavelmente, com quase todas as suas obras.
Foi a obra de Leonardo (1452-1519), o atormentado gênio italiano do período renascentista, que nos colocou na trilha que nos levaria a revelações tão inacreditáveis em relação às suas conclusões que, à primeira vista, nos pareciam ser total e completamente improváveis: não parecia ser plausível que várias gerações de pesquisadores simplesmente não tivessem observado aquilo que havia tomado de assalto nossa espantada atenção, e nos parecia implausível que tal informação explosiva esperasse, calmamente, todo esse tempo para ser descoberta por escritores que, como nós, não fazem parte dos grupos oficiais de pesquisa histórica e religiosa.
Assim, para dar um início mais apropriado à nossa história, temos que retomar à Última Ceia de Leonardo e olhá-la com outros olhos. Porém, não iremos observá-la com olhos pertencentes a um contexto de pressupostos histórico-artísticos familiares. Dessa vez o nosso olhar sobre a obra de arte mais conhecida do mundo será a de um recém-iniciado, um olhar de quem a vê pela primeira vez. E como recém-iniciados na obra, esperamos que toda a gama de conceitos pré-concebidos sejam varridos de nossos olhos e então, pela primeira vez talvez, consigamos realmente enxergá-la.
A figura central, é claro, é a de Jesus, a quem Leonardo, nas suas anotações relativas à obra, se referiu como 'o Redentor'. (Ainda assim, o leitor é avisado a não se deixar levar por nenhum pressuposto óbvio.) Jesus olha contemplativamente para baixo, levemente para sua esquerda, as mãos abertas, estendidas sobre a mesa, como que oferecendo um presente ao observador. Essa é a Última Ceia, na qual, segundo nos diz o Novo Testamento, Jesus deu início ao sacramento do pão e do vinho, incitando seus apóstolos a compartilhá-los como sendo sua própria "carne" e "sangue". Poder-se-ia, com razão, esperar que um cálice de vinho fosse colocado diante dele, complementando tal ritual. Afinal, para os cristãos, essa ceia se passou no jardim de Gethsemane, imediatamente antes da Paixão - quando Cristo, pediu com fervor: "Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice", (uma outra alusão ao simbolismo do vinho/sangue) - e da morte pela crucificação, quando seu sangue sagrado foi derramado em nome de toda a humanidade. Não há, porém, vinho algum diante de Jesus (e em toda a mesa há apenas alguns copos com uma quantidade mínima). Será possível que essas mãos estendidas estejam realizando, essencialmente, como observaria um artista, um gesto sem qualquer significado?
Em face da ausência de vinho, talvez não seja também um mero acaso que de todos os pães presentes na mesa apenas alguns estejam partidos. Será essa uma mensagem sutil relacionada à verdadeira natureza do sofrimento de Jesus, já que este, ao identificar o pão com seu próprio corpo, partiu-o, dan­do-o como representação de seu supremo sacrifício?
Isso, contudo, é apenas a ponta do iceberg de toda a heterodoxia que está presente nessa obra. Na Bíblia, o jovem São João, conhecido como "o Amado", é quem estava, nessa ocasião, tão próximo fisicamente a Jesus a ponto de parecerem estar "colados um ao outro". Todavia a figura desse jovem, na obra de Leonardo, não está assim tão inclinada em direção a Jesus, como teria exig­ido, digamos, uma "direção de palco" bíblica. Muito ao contrário, João é retrata­do afastando-se exageradamente do Redentor, com a cabeça, de um modo um tanto afetado, pendendo para a direita. E isso não é tudo o que pode ser dito a respeito desse personagem e, portanto, devemos perdoar os recém-iniciados na obra ao vermos que podem ser tomados por pensamentos cheios de dúvida em relação ao assim chamado São João. Seria razoável, durante um certo tem­po, pensar que as predileções particulares do artista tenderiam a fazê-lo repre­sentar o supra-sumo da beleza masculina de um modo um tanto efeminado, porém, com certeza, o que nós vemos é uma mulher. Tudo o que se relaciona a "ele" é chocantemente feminino. Ainda que o afresco seja muito antigo e bastante castigado pelo tempo, qualquer pessoa é capaz de notar as mãos finas e graciosas, a figura bela e élfica, o colo distintamente feminino e a gargantilha dourada colocada em seu pescoço. Essa mulher, porque é disso que se trata, além de tudo veste-se com trajes que a diferenciam, tornando-a alguém espe­cial. Seu traje é a imagem espelhada do traje do Redentor: enquanto um veste uma túnica azul e uma capa vermelha, o outro veste uma túnica vermelha e uma capa azul do mesmo estilo. Nenhum outro, na mesa, veste roupas que sejam como a imagem espelhada das roupas de Jesus. Nenhum outro na mesa é, porém, uma mulher.
No centro de toda a composição está uma forma construída em conjunto pelas figuras de Jesus e dessa mulher, um grande e exagerado "M", quase como se eles estivessem literalmente grudados pelos quadris, mas, de repente, saíssem de alinhamento ou então fossem apartados. Não é de nosso conhecimento que qualquer pesquisador tenha se referido a essa figura feminina de outra forma que não fosse como São João. O "M" formado pelas duas figuras também passou desapercebido pelos pesquisadores. Leonardo era, conforme descobrimos em nossas pesquisas, um excelente psicólogo que se divertia presenteando, aos que lhe haviam feito uma encomenda de obras religiosas comuns, com imagens extremamente heterodoxas, consciente de que as pes­soas olhariam com serenidade para a óbvia heresia porque, como de cos­tume, elas só vêem aquilo que querem. Se lhe pedissem para fazer um quadro de uma cena cristã conhecida e você apresentasse algo que tivesse uma seme­lhança apenas superficial com a cena pedida, ninguém jamais questionaria seu simbolismo. Leonardo, contudo, deve ter tido esperanças de que talvez outras pessoas que também compartilhassem sua interpretação incomum da mensagem do Novo Testamento perceberiam o que ele fizera em sua versão, ou que alguém, em algum lugar, um observador que fosse objetivo, um dia repararia na imagem dessa mulher misteriosa ligada à letra "M" e começasse a fazer perguntas óbvias. Quem era "M", e por que era tão importante? Por que Leonardo arriscaria sua reputação, para não dizer sua própria vida, naqueles dias de fogueiras flamejantes, para incluí-la nessa cena tão crucial ao cristianismo?
Quem quer que seja ela, seu próprio destino também não parece estar muito a salvo, pois uma mão se atravessa, de um modo que parece ameaçador, à frente de seu gracioso pescoço inclinado. O Redentor também é amea­çado por um dedo em riste que aponta, com clara veemência, diretamente para seu rosto. Tanto Jesus quanto "M" parecem estar completamente alheios a essas ameaças, perdidos no redemoinho de seus próprios pensamentos, serenos e tranqüilos. Entretanto, é como se fossem utilizados símbolos secre­tos, não apenas para avisar Jesus e sua companheira de que seus destinos se separaram, como também para dar (ou talvez lembrar) ao observador alguma informação que, se fosse de outro modo, haveria perigo em expor. Estaria Leonardo utilizando sua obra para encobrir alguma crença particular, a qual seria uma insensatez compartilhar com uma audiência maior e de um modo mais óbvio? E poderia ser que essa crença fosse uma mensagem a ser comuni­cada aos que não pertencessem a seu círculo social imediato, talvez mesmo uma mensagem para os de nossa época?
Olhemos com mais profundidade para essa obra surpreendente. No afresco, um homem de barba postado à direita do observador se inclina, quase até se dobrar, para falar ao último discípulo na mesa. Ao fazer isso ele dá totalmente as costas ao Redentor. Esse discípulo é São Judas Tadeu, cuja figu­ra é tida como sendo a do próprio Leonardo. Nada do que retratavam os pintores renascentistas era desprovido de significado ou simplesmente incluído por uma questão de beleza, e essa obra em particular, um modelo da época e da profissão, era reconhecida pelo rigor na apresentação de um visível duplo sentido (a preocupação de Leonardo em utilizar o modelo certo para cada discípulo pode ser percebida em sua maldosa insinuação de que o irri­tado Bispo do Monastério de Santa Maria pousou para a caracterização de Judas!). Então, por que Leonardo pintou a si mesmo olhando tão claramente para o lado contrário àquele em que estava Jesus?
Ainda há mais. Uma mão estranha aponta um punhal para o ventre de um discípulo que está ao lado de "M". Por mais imaginação que tenhamos, essa mão não pode pertencer a qualquer pessoa que esteja sentada à mesa, simplesmente porque é fisicamente impossível que estes conseguissem contorcer a própria mão de modo a poder segurar o punhal naquela posição. Entretanto, o que é realmente espantoso sobre a mão desacompanhada de um corpo, não é tanto a sua existência, mas o fato de que, em tudo o que lemos sobre Leonardo, tenhamos descoberto apenas algumas poucas referências a ela, o que demonstra uma curiosa relutância em perceber qualquer coisa que possa haver de anormal. Tanto quanto o fato de São João ser na verdade uma mulher, uma vez que esta mão seja devidamente mostrada nenhum fato poderia tornar-se mais óbvio, nem mais bizarro, embora possa perfeitamente passar despercebida aos olhos e à compreensão do observa­dor, simplesmente por ser algo tão absurdo e ultrajante.
Muitas vezes ouvimos dizer que Leonardo era conhecido como um cristão piedoso cujas obras sobre motivos religiosos refletiam a profundi­dade de sua fé. Até onde pudemos perceber, pelo menos uma de suas obras carrega em si um imaginário extremamente dúbio em relação à ortodoxia cristã, e nossas pesquisas posteriores, como veremos, revelam que nada po­deria estar mais longe da verdade do que a idéia de que Leonardo era real­mente um crente, isto é, de um modo que fosse aceitável para o pensamen­to cristão. Os aspectos anormais e curiosos presentes em apenas uma de suas obras já parecem indicar que ele estava tentando nos falar sobre um outro nível de significado relacionado àquela cena bíblica familiar, de um outro mundo de crenças que estava além dos contornos aceitáveis para uma imagem congelada em um mural dos arredores da cidade de Milão do século XV.
O que quer que signifiquem essas inclusões heterodoxas, elas estavam, nunca é demais reafirmar, em total desacordo com a ortodoxia cristã. Para os racionalistas/materialistas de hoje em dia nada disso tem qualquer significa­do, pois, para estes, Leonardo foi o primeiro cientista verdadeiro e, portanto, era um homem que não tinha tempo para superstições ou religião de qualquer espécie, sendo a verdadeira antítese de um místico ou ocultista. Eles também não são capazes de enxergar o que é, de um modo tão claro, oferecido a seus olhos. Pintar a Última Ceia sem numerosas evidências de vinho é como pin­tar o exato momento de uma coroação sem mostrar a coroa: ou se deixa totalmente de retratar o tema em questão ou se retrata um outro comple­tamente diferente, a ponto de marcar o pintor como um herege consumado, alguém que possui crenças religiosas mas que está em rixa ou mesmo em guerra contra a ortodoxia cristã. Descobrimos que as outras obras de Leonar­do também trazem suas obsessões heréticas específicas, por meio de um imaginário consistente e cuidadosamente aplicado, algo que não acontece­ria se o artista fosse apenas um ateu preocupado em ganhar a vida. Esses símbolos e inclusões impertinentes são também bem mais, muito mais do que uma resposta céptica e satírica ao que lhe fora encomendado. Não é, por exemplo, a mesma coisa que colocar um nariz de palhaço em São Pedro. O que estamos olhando na Última Ceia e em outras obras é o código secreto de Leonardo da Vinci, que acreditamos ser algo de fundamental importância para nosso mundo atual.
Pode-se argumentar que o que quer que Leonardo acreditasse ou não, sua simbologia herética era apenas um sinal de fraqueza de um homem notoriamente excêntrico, cuja história é um paradoxo interminável. Ele pode ter sido um solitário, mas era também a alma e a vida de seu grupo; desprezava os cartomantes e adivinhos, mas sua contabilidade registra pagamentos realizados a astrólogos; era vegetariano e protetor dos animais, mas sua ter­nura raramente se estendia à raça humana; dissecou corpos obsessivamente, e acompanhava execuções com os olhos de um anatomista; era tanto um pensador profundo quanto um mestre em enigmas; arquitetava truques, ar­timanhas e trapaças. De uma figura assim tão complexa, talvez fosse de se esperar que tivesse uma visão pessoal religiosa e filosófica um tanto inco­mum, quem sabe mesmo peculiar. Essa seria uma razão, quando isolada do quadro geral, para se desconsiderar as crenças heréticas de Leonardo como sendo algo sem relevância para os dias de hoje. Embora Leonardo seja mun­dialmente reconhecido como alguém de imenso talento, nossa tendência, repleta de um 'modernismo' irritante e arrogante, é a de subestimar suas descobertas. Afinal, na época em que ele estava no auge de suas atividades, até mesmo o processo de impressão era uma novidade. O que um inventor solitário, de um período tão remoto e primitivo, seria capaz de oferecer a um mundo inundado de informações via Internet e que pode, em questão de segundos, comunicar-se através de telefone ou fax com pessoas em con­tinentes que nem sequer haviam sido descobertos no século XV?
Há duas respostas para essa questão. A primeira é a de que Leonardo não era, fazendo uso de um paradoxo, um gênio de segunda categoria. Embo­ra as pessoas saibam que ele projetou máquinas voadoras e primitivos tanques de guerra, algumas de suas invenções eram tão incomuns para sua época que alguns tipos mais extravagantes chegaram realmente a sugerir a possibilidade de Leonardo ter tido visões do futuro. Seus projetos de bicicleta, por exemplo, tornaram-se conhecidos apenas na década de 60. Ao contrário do árduo e moroso processo de desenvolvimento, baseado em tentativa-e-erro, das primeiras bicicletas construídas na época vitoriana, a bicicleta de da Vinci já nasceu moderna, com duas rodas de mesmo tamanho e um meca­nismo de engrenagens e corrente. Ainda mais fascinante do que o próprio projeto seria descobrir a razão que o teria levado a inventar a bicicleta. O homem sempre quis voar como os pássaros, mas um desejo incontrolável de pedalar sobre vias muito pouco adequadas, equilibrando-se precariamente sobre duas rodas, é algo inimaginável (e, ao contrário do ato de voar, este é um desejo que não faz parte de nenhum conto clássico). Leonardo também previu o telefone, entre muitas outras coisas merecedoras de fama. Se Leo­nardo era muito mais do que o gênio que nos é revelado pelos livros, fica pendente a questão de se saber qual seria o conhecimento que ele poderia ter em mãos capaz de ser impingido, de forma significativa e difundida, ao mundo atual, cinco séculos depois de sua morte. Embora se possa argumen­tar que os ensinamentos de um rabino do primeiro século sejam ainda mais irrelevantes para nossa época, também é verdade que algumas idéias são uni­versais e eternas e que a verdade, se puder ser encontrada ou definida, nunca será corroída em sua essência pela passagem dos séculos.
Não foi, entretanto, a filosofia de Leonardo (seja pública ou oculta) ou suas invenções que nos atraíram em sua direção. Foi sua obra mais paradoxal, pois é, ao mesmo tempo, a mais famosa e a menos conhecida, que nos levou a uma intensa pesquisa sobre ele. Como já discorremos em detalhes em nossa obra anterior, encontramos provas de que foi o Mestre quem falsificou o Sudário de Turim, que há muito acreditava-se ter sido miraculosamente im­presso com a imagem de Jesus Cristo na ocasião de sua morte. Em 1988, um teste de carbono-14 provou a todos, menos para um punhado de crentes desesperados, que o Sudário na realidade é um artefato do final da época medieval ou início do Renascimento. Para nós, entretanto, ele continua a ser uma peça verdadeiramente admirável, para dizer o mínimo. Nosso maior in­teresse, o que nos enchia de curiosidade, era descobrir a identidade do embusteiro, pois quem quer que fosse capaz de criar tal "relíquia" deveria ser um gênio.
O Sudário de Turim comporta-se como uma fotografia, como é reco­nhecido em todas as referências, tanto nas que são favoráveis como nas que são contrárias à sua autenticidade. Ele apresenta um curioso "efeito de negativo", o que significa que se parece a olhos nus com uma tênue mancha chamuscada, mas que pode ser vista em detalhes em um negativo fotográfico.
Já que nenhuma tinta conhecida ou processo de xilogravura se comporta dessa maneira, o efeito de negativo foi tomado pelos "sudaristas" (aqueles que acreditam na autenticidade do Sudário de Jesus) como sendo a prova das qualidades miraculosas da imagem. Entretanto, nós percebemos que a ima­gem gravada no Sudário de Turim se comporta como uma fotografia porque ela é precisamente isso.
O Sudário de Turim é uma fotografia. Isso dito assim de chofre é um pensamento um tanto perturbador. Com a ajuda de Keith Prince, reconstruímos o que acreditamos ser a técnica que foi originalmente utilizada e, ao fazermos isso, nos tornamos as primeiras pessoas a reproduzir todas as características até então inexplicáveis do Sudário de Turim. E, apesar dos sudaristas recla­marem que isso era impossível, nós o fizemos utilizando equipamentos bastante simples, como uma câmara escura, um pedaço de tecido recoberto quimica­mente, tratado com materiais facilmente disponíveis no século XV, e muita luz. Usamos, entretanto, como objeto de nossa experiência fotográfica, um busto de gesso de uma garota comum, o que está, infelizmente, a anos-luz, em im­portância, do objeto utilizado originalmente. Pois o rosto do Sudário não é, como sempre se pensou, o de Jesus. Na verdade é o rosto do próprio mistificador. Em suma, estamos convencidos de que o Sudário de Turim é, entre ou­tras coisas, uma fotografia com quinhentos anos de idade de ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Leonardo da Vinci.
Apesar de algumas curiosas afirmações dizerem o contrário, essa obra não pode ter sido realizada por um cristão piedoso. O Sudário de Turim, visto como o negativo de uma fotografia, aparentemente mostra o corpo de Jesus, sangrando e repleto de fraturas. Deve ser lembrado que esse não é um sangue comum, pois para os cristãos ele não é apenas literalmente divino: é também o veículo através do qual o mundo pode ser redimido. A nosso ver, ninguém poderia simplesmente falsificar aquele sangue e ser considerado um crente, nem poderia ser alguém que tivesse um pingo de respeito pela pessoa de Jesus ao substituir a imagem de Cristo pela sua própria. Leonardo fez as duas coisas, com um cuidado meticuloso e até mesmo, suspeitamos, com um certo prazer. Pois com certeza ele sabia que o Sudário, ao carregar em si mesmo a suposta imagem de Jesus, já que ninguém sequer suspeitaria que essa era na verdade a do próprio artista de Florença, seria venerado por um número infindável de peregrinos, já mesmo no período em que o artista ainda estava vivo. Daquilo que descobrimos sobre ele e sobre seu caráter, podemos imaginar, com alguma certeza, que ele se esgueirava dentre as sombras e observava as pessoas venerando o Sudário. Mas teria ele previsto a massa de peregrinos que passaria em frente de sua imagem ao longo dos séculos? Teria ele imagi­nado que algum dia muitas pessoas inteligentes se converteriam ao catolicis­mo simplesmente ao olhar para aquela face bela e torturada? E teria ele previsto que o mundo ocidental construiria a figura de Jesus baseando-se quase que totalmente na imagem gravada no Sudário de Turim? Teria ele percebido que um dia milhões de pessoas de todo o mundo estariam venerando a ima­gem de um homossexual herético do século XV no lugar do seu Santo adora­do, que Leonardo da Vinci se tornaria literalmente a imagem de Jesus Cristo?
O Sudário é provavelmente a mais bem-sucedida e audaciosa trapaça jamais realizada. E embora tenha enganado milhões de pessoas, ela é muito mais do que uma celebração à habilidade de concretizar uma mistificação de mau gosto. Acreditamos que Leonardo se utilizou da oportunidade para criar a relíquia cristã definitiva como um veículo para duas coisas: uma técnica inovadora e uma crença herética oculta. A técnica fotográfica primitiva era, como nos contam os acontecimentos históricos, perigosa demais para ser demonstrada publicamente naquela época cheia de superstição e paranóia. Não há dúvida de que, para seu próprio deleite, Leonardo arranjaria um meio de fazer com que seu protótipo ficasse aos cuidados dos mesmos bispos que ele tanto desprezava. É claro que a ironia implícita nessa proteção por parte do bispado talvez seja apenas pura coincidência, apenas mais uma brincadei­ra do destino introduzida nesta história, já por si só inacreditável. Para nós, porém, isso demonstra a obsessão de Leonardo em ter total controle sobre tudo, controle que, como se vê, ultrapassou em muito sua própria morte.
O Sudário de Turim, falsificação e obra de um gênio, também traz em si certos símbolos que salientam as obsessões particulares de Leonardo que, no geral, também podem ser vistas e melhor compreendidas em outras obras suas. Por exemplo, podemos ver na base do pescoço da figura do Sudário uma linha demarcada bastante nítida. Quando a imagem como um todo é transformada em um "mapa de contorno", utilizando-se as técnicas computa­dorizadas mais sofisticadas, podemos ver que essa linha marca a parte final da imagem da cabeça; a partir daí existe como que um oceano de inima­ginável escuridão até a imagem começar novamente no início do tórax. Acred­itamos que existam duas razões para isso. Uma delas é de ordem puramente prática, pois a imagem frontal é um composto, o corpo sendo de alguém realmente crucificado e o rosto sendo do próprio Leonardo e, portanto, a linha é um indicativo da necessária "junção" entre as partes. Entretanto, esse mistificador não era de modo algum um artesão de segunda classe, e poderia com relativa facilidade obscurecer ou remendar aquele sinal revelador. Mas e se Leonardo não quisesse realmente se livrar dessa linha reveladora? E se ele a tivesse deixado de propósito como uma pista para aqueles que "tem olhos que vêem"?
Qual é o volume possível de material herético, mesmo em código, que o Sudário de Turim pode transportar em si mesmo? Há com certeza um limite para os símbolos que alguém pode esconder em uma imagem simples e estática de um homem crucificado e nu, uma imagem que, além disso, foi analisada por muitos cientistas eminentes dotados de equipamentos de última geração. Voltaremos a esses assuntos mais tarde, mas façamos por agora uma mera indicação de que essas questões podem ser respondidas ao olharmos novamente para os dois aspectos principais da imagem. O primeiro se relaciona com a abundância de sangue que parece estar ainda escorrendo dos braços de Jesus e que, à primeira vista, contradiz a simbólica falta de vinho na mesa da Última Ceia, mas que de fato reforça esse ponto em particular. O segundo aspecto se refere à óbvia linha demarcatória entre o corpo e a cabeça, como se Leonardo estivesse chamando nossa atenção para a deca­pitação...Até onde sabemos, Jesus não foi decapitado, e se a imagem é uma composição, estamos então sendo levados a fazer suposições sobre uma ima­gem composta de duas pessoas que, contudo, nunca estiveram tão juntas antes. Mas, mesmo assim, por que alguém que foi decapitado teria sido 'co­lado' à imagem de alguém que foi crucificado?              .
Como ainda veremos, essa pista da cabeça decapitada do Sudário de Turim é apenas um reforço no simbolismo presente em muitas outras obras de Leonardo. Percebemos o quanto a estranha mulher, "M", da Última Ceia, está aparentemente sendo ameaçada por uma mão que atravessa seu pes­coço delicado, assim como Jesus também está sendo ameaçado por um dedo em riste que aponta diretamente para seu rosto, como se estivessem dando um aviso ou talvez uma advertência ou, quem sabe, ambos. Nas obras de Leonardo esse dedo em riste sempre aparece, em todos os casos, como uma referência direta à figura de João Batista.
Esse santo, dito predecessor de Jesus, que proclamou ao mundo "con­templai o Cordeiro de Deus", cujas sandálias ele não era merecedor sequer de tocar, foi de suprema importância para Leonardo, se julgarmos apenas pela onipresença deste em suas obras. Essa obsessão é bastante estranha para quem é considerado por racionalistas contemporâneos como alguém sem tempo para perder com religião. Um homem para quem todas as características e tradições do cristianismo nada significassem, dificilmente devotaria tanta energia e tanto tempo a um santo em particular, como ele fez com João Batista. De tempos em tempos é esse João quem domina a vida de Leonardo, tanto no nível consciente, que está representado em suas obras, como em termos de sincronicidade relacionada com as coincidências que o envolvi­am. É quase como se João Batista o perseguisse. Por exemplo, a sua amada cidade de Florença é dedicada ao santo, bem como a catedral de Turim, onde o falso Sudário de Leonardo está exposto. Sua última obra, que, junto com Mona Lisa, ficou exposta, sem ser reivindicada por quem quer que fosse, no aposento onde passou suas últimas horas de vida, era um quadro de João Batista; e o único fragmento de uma escultura sua (realizada em conjunto com Giovan Francesco Rustici, um conhecido ocultista) também retratava João Batista. Ela agora está colocada no alto da entrada do batistério de Florença, bem em cima da cabeça dos turistas e, infelizmente, servindo de alvo para um bando de pombos irreverentes.
Aquele dedo em riste, que chamamos de o 'sinal de João', foi retra­tado em Escola de Atenas, de Rafael (1509). Nele vemos o venerável Platão fazendo esse sinal, mas nessas circunstâncias não chega a ser propriamente uma insinuação misteriosa, como alguém poderia suspeitar. De fato, o mo­delo para Platão foi ninguém mais, ninguém menos que o próprio Leonardo, obviamente fazendo um gestual que não era apenas uma característica sua em particular, mas que também tinha um significado profundo para ele (bem como, provavelmente, para Rafael e outros do mesmo círculo).
No caso de pensarem que talvez estejamos dando excessiva importância a isso que denominamos o 'sinal de João', vamos verificar outros exemplos em que ele aparece em outras obras de Leonardo.
Aparece em muitas de suas pinturas, como já dissemos, sempre com o mesmo significado. No seu inacabado Adoração dos Reis Magos (que fora ini­ciado em 1481) um espectador anônimo faz o mesmo gesto bem próximo de um monte de terra ao lado do qual cresce uma alfarrobeira. Muitos observa­dores provavelmente nem notariam tal coisa, pois seus olhos seriam inevi­tavelmente atraídos para o que pensariam ser o ponto central da pintura, conforme sugere o título da obra, a adoração da Sagrada Família pelos "homens sábios" ou Reis Magos. A bela e sonhadora Virgem, com o menino Jesus em seu colo, é retratada como uma personagem insípida e pálida. Ajoelhados, os Reis Magos mostram-lhe os presentes que trouxeram para a criança, enquanto ao fundo uma multidão os cerca, aparentemente também em atitude de devoção para com a mãe e a criança. Como na Última Ceia, porém, esta é uma pintura cristã apenas na superfície e merece um olhar mais atento.
Os devotos no primeiro plano dificilmente poderiam ser chamados de exemplos de saúde e beleza. Esqueléticos, quase a ponto de parecerem defuntos, suas mãos estendidas, menos em atitude de admiração e mais como se eles es­tivessem querendo se agarrar à Virgem e ao menino, evocam um clima de pe­sadelo. Os Reis Magos mostram seus presentes, mas apenas dois dos três da lenda estão retratados. Incenso e mirra estão sendo oferecidos, mas não ouro. Para os da época de Leonardo, o ouro significava não somente imediata riqueza mas também um símbolo de realeza - e isso está sendo negado a Jesus.
Atrás da Virgem e dos Reis Magos parece haver um segundo grupo de devotos. Esses são muito mais saudáveis e têm um aparência normal, mas se alguém seguir a linha de direção de seus olhares verá que não estão olhando nem para a Virgem e nem para a criança; ao invés disso, parecem estar reverenciando as raízes da alfarrobeira, na qual uma pessoa está fazendo o "sinal de João". A alfarrobeira, aliás, é tradicionalmente associada à figura de João Batista...
Embaixo e ao fundo, do lado direito da pintura, um jovem se volta deliberadamente para o lado oposto ao da Sagrada Família. De modo geral aceita-se que esse seja o próprio Leonardo, mas o argumento utilizado para explicar sua repulsa, a de que o artista não se sente no direito de encará-la, é um tanto frágil e, como já veremos, dificilmente se mantém. Pois Leonardo é bem conhecido por não ter nenhum amor pela igreja. Além disso, na caracterização de São Judas Tadeu na Última Ceia, ele também está voltado em direção oposta ao Redentor, deixando assim subentendida alguma emoção extrema em relação à figura central da história cristã. E como Leonardo não era exatamente um ex­emplo nem de piedade nem de humildade, essa reação não parece ter sido resultado de um sentimento de inferioridade ou subserviência.
Voltando para os belos e obsessivos esboços de Leonardo para a Virgem Maria e o Menino Jesus com Sant'Ana (1501), que embeleza as paredes da National Gallery de Londres, encontramos novamente elementos que deveriam, embora raramente o façam, perturbar o observador, em razão de suas implicações subversivas. Os desenhos mostram a Virgem e o menino Jesus junta­mente com Sant'Ana (mãe de Maria) e um João Batista criança. O menino Jesus aparentemente abençoa seu primo João, que reflexivamente olha para cima, enquanto Sant'Ana, fazendo o "sinal de João" com uma enorme e estranha mão masculina, perscruta atentamente o rosto distraído de sua filha. Entretanto, esse dedo em riste levanta-se exatamente sobre a delicada mão de Jesus que está dando bênçãos, como se estivesse metafórica e literalmente ofuscando-a. E embora a Virgem pareça estar sentada em uma posição bastante descon­fortável, quase como se estivesse montada de lado em uma sela feminina, é a posição do menino Jesus que é realmente peculiar. A Virgem o segura quase como se o impelisse a abençoar, como se ela o colocasse em cena apenas para isso e apenas com dificuldade pudesse mantê-lo ali. Enquanto isso, João recos­ta-se casualmente no joelho de Sant'Ana como se não se apercebesse da hon­ra que lhe estava sendo dada. Poderia ser que a própria mãe da Virgem a es­tivesse lembrando de alguma coisa secreta relacionada com João?
Segundo a nota que acompanha a obra na National Gallery, alguns especialistas em arte, confusos com a juventude de Sant'Ana e a estranha presença de João Batista, têm especulado que a obra na verdade retrata Maria e sua pri­ma Isabel, mãe de João. Isso é algo plausível, e se estiver correto reforça as nossas teses.
Essa aparente confusão entre Jesus e João também pode ser vista em uma das duas versões da A Virgem dos Rochedos de Leonardo. Os historia­dores da arte nunca explicaram satisfatoriamente o porquê de serem duas. Uma delas é exposta com freqüência na National Gallery em Londres e a outra, que para nós é muito mais interessante, está no Museu do Louvre em Paris.
A encomenda foi feita por uma organização conhecida como Irmandade da Imaculada Conceição, para uma única pintura a ser colocada como peça central de um tríptico para o altar da capela da igreja de São Francesco Grand em Milão. (As outras duas pinturas do tríptico foram feitas por outros artistas). O contrato, de 25 de abril de 1483, ainda existe e mostra um interessante con­traste entre a obra encomendada e o que os membros da irmandade realmente receberam. Eles especificaram cuidadosamente no contrato o formato e as dimensões do quadro que queriam, o que era uma necessidade, pois a moldu­ra para a tela já existia. Estranhamente, ambas as versões acabadas de Leonardo estavam dentro dessas especificações, embora não se saiba por que fez duas versões. Podemos, entretanto, arriscar um palpite sobre essas duas interpre­tações divergentes que, provavelmente, não foram feitas por uma questão de perfeccionismo e sim devido à consciência do potencial explosivo implícito.
O contrato também especificava o que deveria ser pintado. O tema se referia a um acontecimento que não é mencionado nos Evangelhos, embora seja uma lenda cristã bastante conhecida. Era sobre a história de como, du­rante a fuga para o Egito, José, Maria e Jesus, ainda um bebê, se abrigaram em uma caverna no deserto onde se encontraram com o menino João Batista, que era protegido pelo arcanjo Ariel. O ponto central dessa lenda é a de que ela permite evitar uma das questões mais óbvias e embaraçosas decorrentes do batismo de Jesus, conforme relatado nos Evangelhos. Por que alguém suposta­mente sem pecados como o filho de Deus deveria ser submetido ao que, cla­ramente, era um ato de autoridade por parte de João Batista?
Essa lenda nos diz como, durante esse incrível encontro entre as duas crianças santas, Jesus conferiu a seu primo João a autoridade de ba­tizá-lo quando ambos se tornassem adultos. Por diversas razões essa enco­menda da Irmandade é para nós uma das mais irônicas já pedidas a Leo­nardo, porém, também podemos suspeitar que ele teria ficado deliciado em recebê-la e em fazer a interpretação que bem quisesse, pelo menos em uma das duas versões.
De acordo com o estilo então vigente, os membros da Irmandade soli­citaram especificamente uma obra suntuosa, bastante ornamentada, arremata­da com abundantes folhas douradas e uma profusão de querubins e espíritos dos profetas do Antigo Testamento para preencher os vazios. O que receberam, porém, foi algo bastante diferente, a tal ponto que as relações entre eles e o artista se tornaram bastante estremecidas, culminando em um processo jurídi­co que se arrastou por mais de 20 anos.
Leonardo decidiu representar as cenas de forma tão realista quanto pos­sível, sem personagens extras. Não haveria gorduchos querubins ou fantasmagóricos profetas do apocalipse. De fato, a dramatis personae talvez tenha sido reduzida de um modo um tanto excessivo, pois, embora tal cena supostamente retrate a fuga para o Egito da Sagrada Família, José não aparece na pintu­ra de forma alguma.
A versão que está no Louvre, a primeira das duas, mostra a Virgem ves­tida com um manto azul protegendo uma criança e a outra criança sendo re­tratada em conjunto com Ariel. O curioso é que as duas crianças são idênticas, mas, mais estranho ainda, é a criança que está junto ao anjo estar abençoando a outra e a criança junto a Maria estar ajoelhada em subserviência. Isso fez com que os historiadores da arte presumissem que Leonardo escolheu, por qualquer razão que seja, colocar o menino João junto a Maria. Afinal, não há legendas identificando as pessoas e certamente a criança que tem a autoridade para abençoar deve ser Jesus.
Existem, porém, outras maneiras de se interpretar essa obra, maneiras que não apenas sugerem uma forte mensagem subconsciente e de cunho não ortodoxo, mas que também reforçam os códigos utilizados por Leonardo em outros trabalhos. Talvez a semelhança entre as duas crianças sugira que Leonardo, deliberadamente e com propósitos particulares, camuflou suas identidades. E enquanto Maria está abraçando protetoramente a criança geralmente identificada como sendo João, ela estende sua mão esquerda acima da cabeça de 'Jesus' , no que parece ser um gesto de clara hostilidade. Serge Bramly, em sua recente biografia de Leonardo, descreveu esse gesto como 'reminiscências das garras de uma ave de rapina'. Ariel está apontando em direção à criança que está com Maria, mas está também, significativamente, olhando de forma enigmática para o observador, ou seja, olhando de forma resoluta para longe da Virgem e o menino. Embora possa ser mais fácil e aceitável interpretar tal ges­to como sendo uma indicação de qual dos dois é o Messias, existem outras possibilidades de resposta.
E se admitirmos, como seria lógico esperar, que a criança que está com Maria, na versão do Louvre de A Virgem dos Rochedos, é Jesus e a mais jovem com Ariel é João? Nesse caso é João quem está abençoando Jesus, e este estaria se submetendo à autoridade daquele. Ariel, como protetor especial de João, está até mesmo evitando olhar para Jesus. E Maria, protegendo seu filho, está mostrando uma mão ameaçadora bem acima da cabeça de João. Alguns centíme­tros diretamente abaixo da mão espalmada de Maria, a mão de Ariel se atraves­sa de um modo que faz com que esses dois gestos pareçam conter alguma pista enigmática. É como se Leonardo estivesse indicando que algum objeto, algum traço significativo, embora invisível, deveria preencher o vazio deixado. Dentro desse contexto não seria nada fantasioso imaginar que os dedos esten­didos de Maria estariam ali posicionados em substituição a uma coroa coloca­da sobre uma cabeça invisível, enquanto os dedos de Ariel cortam o espaço justamente onde deveria estar o pescoço de tal cabeça. Essa cabeça fantasma flutua precisamente acima da criança que está com Ariel...Assim, poderá haver dúvida sobre a identidade daquela das duas crianças que será morta por de­capitação? E se essa criança que está abençoando for realmente João Batista, não será ela, portanto, superior à outra?
Contudo, quando nos voltamos para a versão que está na National Gal­lery, que é de um período posterior, percebemos que todos os elementos necessários para produzir essas deduções heréticas se perdem, mas apenas esses elementos. As duas crianças são bastante diferentes em sua aparência, e a que está com Maria traz em si a cruz de João Batista (embora talvez seja ver­dade que ela tenha sido acrescida, tempos depois, por um outro artista).Aqui, a mão de Maria ainda está estendida sobre a outra criança. Dessa vez, porém, não há nada que sugira uma ameaça. Ariel não aponta e nem olha para longe da cena. É como se Leonardo estivesse nos convidando a 'localizar a diferença', deixando que nós mesmos tirássemos as conclusões necessárias sobre essas anomalias. .
Esses estudos da obra de Leonardo revelam uma diversidade de signi­ficados ocultos ao mesmo tempo provocantes e perturbadores. Parece haver uma repetição, utilizando vários símbolos e sinais simples e subconscientes, ao redor do tema de João Batista. Ele é continuamente colocado, e as imagens denotam isso, acima da figura de Jesus, inclusive, se estivermos certos, nos símbolos que estão dissimuladamente gravados no próprio Sudário de Turim.
Há algo de compulsivo nessa insistência, não apenas em relação à complexidade das imagens que Leonardo utilizou como, também, no risco que cor­reu em mostrar ao mundo essas heresias, mesmo construídas de modo tão inteligentemente subliminar. Talvez, como já colocamos, a razão de ele ter final­izado tão poucas obras não deva ser debitada na conta de um perfeccionismo exagerado, mas ao fato de ter consciência do que poderia lhe acontecer se alguém importante conseguisse enxergar para além da linha que separa a orto­doxia e a completa 'blasfêmia' oculta sob a superfície. Talvez até mesmo um gênio como Leonardo se acautelasse, a fim de não cair nas garras das autori­dades. Uma vez já foi o suficiente para ele.
Contudo, com certeza ele não teria nenhuma necessidade de pôr sua cabeça a prêmio retratando tais heresias em suas obras, a menos que acre­ditasse nelas de forma verdadeiramente apaixonada. Como já vimos, longe de ser o materialista ateu amado por muitos de nossos contemporâneos, Leonar­do estava seriamente comprometido com um sistema de crenças que navega­va em direção totalmente contrária ao que era, e ainda é, o discurso central do cristianismo. Esse sistema de crenças era o que muitos chamariam de 'ocultismo'.
Atualmente, para muitas pessoas esse é um mundo que tem conotações pré-concebidas e bem pouco positivas. O ocultismo é diretamente relacionado com magia negra ou truques de charlatães depravados ou ambos. No entanto, a palavra 'ocultismo' significa simplesmente 'escondido' e é comumente utili­zada na astronomia para, por exemplo, descrever algum corpo espacial que esteja 'ocultando' ou eclipsando um outro. No que se refere a Leonardo, pod­eríamos concordar que enquanto houvesse realmente elementos em sua vida e em sua crença que resvalavam para rituais sinistros e práticas mágicas, é verdade também que ele buscava conhecimento, acima e além de qualquer coisa. Do que ele procurava, entretanto, a maior parte era mantida realmente 'oculta', pela sociedade de um modo geral e por uma organização, onipresente e poderosa, em particular. A Igreja desaprovava, na maior parte da Europa, qualquer experiência científica e tomava medidas drásticas a fim de silenciar quem tornasse públicas suas visões heterodoxas ou extremamente pessoais.
Florença, entretanto, onde Leonardo nasceu, se educou e em cuja corte sua carreira realmente se iniciou, era um centro florescente de uma nova onda tecnológica. Isso, extraordinário por si só, estava em total consonância com o fato de a cidade ser um refúgio para um grande número de mágicos e ocultistas influentes. Os primeiros patronos de Leonardo, a família dos Medici, que governava a cidade, encorajaram ativamente o estudo do ocultismo e até patrocinavam pesquisadores a procurar e traduzir certos manuscritos perdidos.
Essa fascinação pelo misterioso não era o equivalente renascentista do interesse por horóscopos, avidamente procurados nos jornais de hoje em dia. Embora houvesse inevitavelmente áreas de investigação que pareceriam a nós ingênuas e tolamente supersticiosas, havia também muitas outras que representavam uma séria tentativa para entender o universo e o lugar do homem nele. Os mágicos, entretanto, procuraram ir um pouco mais longe ao tentar descobrir como controlar as forças da natureza. Olhando sob essa ótica, talvez não seja tão inacreditável que Leonardo fosse, entre tantos outros, um ativo participante do movimen­to ocultista de sua época e de sua cidade. E a distinta historiadora Dame Frances Yates chegou mesmo a sugerir que a chave que permitia o vôo de longo alcance da genialidade de Leonardo se ancorava nos conceitos sobre magia desenvolvidos em sua época.
Os detalhes das filosofias predominantes na época, inseridas no movi­mento ocultista de Florença, podem ser encontrados em nosso livro anterior, mas, em linhas gerais, a pedra de toque de todos os grupos da época era o hermetismo, denominação que vinha de Hermes Trismegistos, o grande, se não legendário, mago egípcio cujos livros apresentam um coerente sistema de ma­gia. A parte mais importante do pensamento hermético era a idéia de o homem ser literalmente divino, um conceito por si só tão ameaçador que a Igreja, a fim de não deixar que ele entrasse nos corações e espíritos de seu rebanho, o classificou como motivo para a excomunhão de quem o professasse.
Os princípios herméticos estavam, certamente, presentes na vida e na obra de Leonardo, mas à primeira vista parecia haver uma óbvia discrepância entre essas sofisticadas idéias filosóficas e cosmológicas e os aspectos heréti­cos que, apesar de tudo, preservavam a importância das figuras bíblicas. (Deve­mos destacar que as crenças heterodoxas de Leonardo e seu círculo não eram apenas conseqüência de uma reação contra uma igreja corrupta e dogmática. Como está escrito na história, havia realmente uma forte e explícita reação contra a Igreja de Roma: o movimento Protestante. Mas estivesse Leonardo vivo hoje e nós, com certeza, tão pouco o encontraríamos rezando nesse tipo de igreja).
Entretanto, há uma evidência suficientemente forte para fazer com que os herméticos possam também ser considerados totalmente heréticos. Giordano Bruno (1548-1600), pregador fanático do hermetismo, proclamou que suas crenças vieram de uma antiga religião egípcia que, além de ser anterior ao cristianismo, era muito mais importante do que este.
Uma parte desse próspero mundo ocultista, embora ainda um tanto frágil para merecer a desaprovação da Igreja, era formada pelo grupo dos alquimis­tas. Eles também são um grupo atingido pelo preconceito atual. Hoje em dia recebem a pecha de tolos que desperdiçavam suas vidas tentando em vão trans­formar metal comum em ouro. Na verdade, porém, essa imagem foi uma útil cortina de fumaça para os alquimistas sérios que estavam mais preocupados com experiências científicas e também com transformações pessoais e o con­trole implícito de seus próprios destinos. Mais uma vez, não é difícil concluir que alguém tão faminto por conhecimento quanto era Leonardo faria parte de tal movimento, talvez fosse até mesmo um de seus pioneiros. Embora não haja uma evidência direta de seu envolvimento, ele era conhecido por manter re­lações com ocultistas dos mais diversos matizes, e nossa pesquisa sobre sua falsificação do Sudário de Turim nos dá segura indicação de que essa imagem foi um resultado direto de suas próprias experiências 'alquímicas' (na verdade, chegamos à conclusão de que a fotografia era apenas um entre outros grandes segredos da alquimia).
Simplificando: é muito improvável que Leonardo não tenha tido um con­tato íntimo com algum dos sistemas de conhecimento que estavam disponíveis em sua época, mas ao mesmo tempo, dados os riscos envolvidos em fazer parte deles abertamente, é igualmente improvável que deixasse registrado por escrito qualquer traço de evidência que o ligasse a tais sistemas. Contudo, como já vimos, os símbolos e imagens que ele utilizou repetidamente nas suas assim chamadas obras cristãs com certeza não seriam apreciadas pelas autoridades da Igreja, tivessem elas percebido sua verdadeira natureza.
De qualquer modo, essa fascinação com o hermetismo parece ser, ao menos na superfície, quase que o extremo oposto de uma escala de preo­cupações que colocasse João Batista e o suposto significado da mulher "M" no ponto máximo. Na verdade, foi essa discrepância que nos confundiu a tal pon­to que tivemos que nos aprofundar ainda mais. É claro que se poderia argumentar que o significado dessa coleção de dedos em riste apenas nos diz que um gênio da Renascença era obcecado por João Batista. Seria possível, porém, que houvesse um significado mais profundo por trás da crença pessoal de Leonardo? A mensagem que podemos ler em suas pinturas tinha algum fundo de verdade?
Com certeza o Mestre já era bastante conhecido nos círculos do ocul­tismo como sendo alguém possuidor de um conhecimento secreto. Quando começamos a pesquisar sua participação no Sudário de Turim nos deparamos com muitos rumores antigos que diziam que não só havia um dedo dele nessa criação, como também era conhecido por ser um mago de algum renome. Há até mesmo um cartaz parisiense do século XIX fazendo propaganda do Salão da Rosa + Cruz, um lugar de encontros para ocultistas de espírito artístico, que retratava Leonardo como o Guardião do Santo Graal (que em determinados círculos pode ser tomado como alcunha do Guardião dos Mistérios). Mais uma vez, rumores e licença poética não acrescentam muita coisa por si mesmos, mas, colocados em conjunto com todas as indicações listadas acima, certa­mente abriram nosso apetite para conhecermos mais sobre esse Leonardo desconhecido.
Até aqui conseguimos isolar o que parece ser o foco principal das obses­sões de Leonardo:João Batista. Embora fosse natural que, vivendo em Florença, recebesse encomendas para pintar ou esculpir esse santo, já que essa cidade era dedicada a João Batista, a verdade é que, ao ser deixado livre para fazer o que bem quisesse, Leonardo escolhia exatamente o mesmo. Afinal, a última pintura de Leonardo, em 1519, foi um quadro relativo à morte de João Batista, que não fora encomendado por ninguém e sim feito por vontade própria.Talvez quisesse a imagem para observá-la enquanto estivesse morrendo. E mesmo quan­do era pago para pintar uma cena cristã ortodoxa, e sempre que possível, ele enfatizava o papel de João Batista.
Conforme vimos, suas imagens de João foram elaboradamente prepara­das para veicular uma mensagem específica, mesmo que fosse divulgada de forma imprecisa e subliminar. João, com certeza, devia ser retratado como sen­do alguém importante. Afinal, ele era o predecessor, o parente heráldico e sangüí­neo de Jesus, e, portanto, era natural que seu papel fosse reconhecido dessa forma. Mas Leonardo não dizia que o Batista era inferior a Jesus, como faziam todos os outros. No seu quadro Virgem dos Rochedos o anjo está, afirmamos, apontando para João, que está abençoando Jesus, e não o contrário. Na Adoração dos Reis Magos as pessoas saudáveis e de aparência normal estão venerando as nobres raízes de uma alfarrobeira, árvore de João, em vez da pálida Virgem com o menino. E o "sinal de João", aquele dedo da mão direita em riste, está apontado para a face de Jesus na Última Ceia no que, com certeza, não é uma maneira de se demonstrar amor ou apoio; na verdade, a imagem parece dizer de um modo rude e ameaçador, "Lembre-se de João". E o menos conhecido dos trabalhos de Leonardo, o Sudário de Turim, se apóia no mesmo tipo de simbo­lismo, com sua imagem de uma aparente cabeça decapitada colocada 'sobre' um corpo crucificado. A evidência irresistível é que, para Leonardo ao menos, João Batista foi realmente superior a Jesus.
Tudo isso pode fazer com que Leonardo pareça ser uma voz solitária pregando no deserto. Afinal, muitos dos grandes gênios têm sido pessoas ex­cêntricas, para dizer o mínimo. Talvez essa fosse uma área de sua vida onde ele podia se colocar ao largo das convenções de sua época. Estamos, porém, conscientes, desde o início de nossa pesquisa no final dos anos 80, do apareci­mento recente de evidências, embora de uma natureza altamente controversa, que o ligam a uma sociedade secreta poderosa e sinistra. Esse grupo, que, alega-­se, já existia muitos séculos antes do aparecimento de Leonardo, incluía alguns dos indivíduos mais influentes da história européia e, de acordo com nossas fontes, continua a existir atualmente. Os primeiros líderes dessa organização, conforme indícios que levantamos, pertenciam à aristocracia, e atualmente são algumas das figuras mais influentes na área política e econômica, que a mantêm viva por propósitos particulares.
Embora acreditássemos piamente, no início de nossas pesquisas, que iríamos gastar nosso tempo em galerias de arte, decodificando obras do renascimento, logo percebemos que não podíamos estar mais equivocados.

* Aos vinte e quatro anos, Leonardo foi preso sob acusação de sodomia, crime cuja pena era a morte. A acusação foi retirada, pois um dos jovens que fora preso junto com ele pertencia à família que dominava Florença.A experiência, porém, parece ter causado um efeito profundo em sua vida, e a partir de então ele nutriu suas obsessões no silêncio de sua privacidade.

domingo, 15 de maio de 2011

Templários na América POR: Entrevista de Deborah Caldwell



Dois autores que as crenças gnósticas dos Cavaleiros Templários foram passadas para baixo através do Pais Fundadores.

POR: Entrevista de Deborah Caldwell
O livro
conta a história de um nobre europeu da família que exploraram a América quase 100 anos antes de Colombo. Em seu estudo, os autores Tim Wallace-Murphy e Marilyn Hopkins escreve que os monges guerreiros medievais dos cavaleiros templários tinham laços comerciais com os nativos americanos na Nova Escócia e Nova Inglaterra, e que as famílias europeias, que eram membros dos Templários e reivindicado ser descendente de Jesus, passaram as suas crenças por meio maçônico ensino na Constituição dos EUA e da Declaração de Independência.
O ponto principal de seu novo livro, no entanto, é relatar evidências de que eles acreditam que os laços de famílias europeias mais diretamente para a América. Dizem que um membro de uma das famílias europeias, Conde Henry Sinclair, viajou para a Nova Inglaterra em 1300 e, finalmente assimilada com o povo nativo americano e morreu ali.
É a história dos Cavaleiros Templários disputa?
Ah, está sim. Há duas visões totalmente diferentes sobre isso. Um deles é que ela foi fundada por católicos devotos para defender a  -uma visão que eu tenho medo que disputariam muito vigorosamente. A outra é a visão que lhes dei, que foi fundada por motivos heréticos, pelas famílias tentar recuperar seu patrimônio, que estava em sua opinião, a Terra Santa, porque eles reivindicaram a descida do sumo sacerdócio de Jerusalém.
Conte-me sobre esta família tentando manter seu patrimônio.
Não foi um familiar que era uma série deles. Havia 24 hereditária sacerdotes no templo de Jerusalém, e depois da destruição de Jerusalém em 70 dC, eles se dispersaram por toda a Europa eo Extremo Oriente. Seus descendentes mantiveram contato e só se casou no mesmo grupo de famílias, mantendo a linhagem pura e passando as suas aulas em segredo. Agora, eles sabiam que Jesus não era Deus e que ele havia ensinado uma forma de espiritualidade, que estava totalmente em conformidade com a tradição judaica e com a tradição egípcia, que o precedeu.
Como é que a história de contato com o gnosticismo?
Essas famílias foram gnósticos. A Igreja exigia que você acredita em um conjunto de dogmas fixos e aceitá-lo como fato. Ele disse que, se você não for um bom menino aqui em baixo, então você vai queimar no inferno por toda a eternidade, ou você poderia estar de acordo com a crença da igreja e se juntar ao coro de penas no céu. O gnóstico é um animal diferente. Ele segue um professor que ensina um caminho ascendente de iniciação, onde mais e mais é revelado até que finalmente você alcançar a união com Deus. Exemplos seriam os budistas, zoroastrianos, os egípcios ou os cabalistas judeus. E as famílias que nós estamos falando sobre algo que estavam seguindo muito de perto parecido com a Cabala ea tradição egípcia.
Como o gnosticismo contato com as lendas em torno de Maria Madalena e Jesus?
Ela era sua esposa. O conceito cristão de que Jesus era Deus e, portanto, ele era intocável por qualquer pessoa é um absurdo, porque, como judeu, ele teria que estar em conformidade com a tradição judaica em que a tradição judaico-time e disse que o homem tinha que casar e ter filhos. E ele também era herdeiro do trono de Davi. Ele teria sido que lhe incumbem de produzir um outro herdeiro para manter a linhagem indo. Se ele não tivesse se casado e feito isso, ele não poderia ter sido o herdeiro do trono.
E Maria Madalena veio de uma família muito importante, muito mais importante do que os evangelhos cristãos nos diz. E provavelmente foi um casamento arranjado pelas duas famílias para promover a aristocracia, porque Jesus era certamente um aristocrata, e não apenas um humilde carpinteiro.
Quem eram os Templários?
  Na superfície, eles eram uma ordem monástica medieval que deu a aparência de ser parte da Igreja e os cristãos devotos. Na realidade, eles eram tudo menos isso. Sim, eles eram uma ordem monástica, que tinha sido aprovado pelo papa, e eles eram praticamente independentes de todas as autoridades da Igreja civil e outros, sendo responsável pela sua grande mestre para o papa eo papa sozinho. Mas, na verdade, eles tinham sido fundada por um grupo de famílias que tinham uma visão muito diferente e muito heréticas sobre Cristo e seus ensinamentos. Eles mantiveram viva de que o ensino em segredo por quase 1.100 anos e conspiraram para criar um contrapeso ao poder da igreja.
E então, quando ele foi morto, você acredita que ela fugiu para o sul da França?
Sim, existe uma tradição que dizia que ela desembarcou em um barco com Lázaro. Todos os anos há um festival lá. E no primeiro dia do festival, eles carregam o santo padroeiro, conhecido como Santa Sarah, para o mar. Ela é conhecida como Sara, a egípcia. A história diz que ela era uma criada, mas é nossa convicção de que ela era a filha de Jesus e Maria Madalena.
Agora, explicar a relação entre a história e as famílias dos Cavaleiros Templários.
Famílias que fundou os Cavaleiros Templários eram parte do mesmo grupo, como Jesus "descendentes porque um dos irmãos de Jesus era um sumo sacerdote, Tiago, o Justo. Então, todas essas famílias tinham reivindicações de linhagem antiga e antigo ensinamento, e todos eles se casaram.
Agora nos ajudar a compreender a ligação entre Henry Earl Sinclair e essas famílias.
O Sinclairs são uma das famílias, eles são um dos mais leve, de facto. E um neto do Conde Henry Sinclair, William Sinclair, foi considerada pelas famílias como o Rei Pescador, o herdeiro ao trono de Jerusalém. O homem era um gigante intelectual, um gênio. Mas seu avô, o Conde Henry Sinclair, é o que nos interessa do ponto de vista da viagem.
Poderia explicar a viagem?
Isto é onde a diversão começa. Como Oscar Wilde uma vez disse a famosa frase: "Muitas pessoas descobriram a América antes de Colombo, caro rapaz, mas a maioria deles teve o bom senso de manter o silêncio sobre isso." Ele foi provavelmente a ser sarcástico, mas na verdade, ele estava dizendo uma grande verdade porque os romanos e os egípcios tinham estado lá várias vezes e mantiveram silêncio sobre o assunto por razões de protecção das suas fontes de comércio.
família Henry Sinclair descendentes dos vikings. E foi as sagas viking, que são o primeiro registro escrito dos europeus que visitam a América, são bastante específicas sobre como chegar lá. Eles ilha pulou sobre o Atlântico Norte. Eles nunca foram mais do que um par cem milhas fora da vista da terra. E eles deixaram em suas sagas Roteiros preciso. Henry começou a explorar o Atlântico Norte, seguindo os caminhos estabelecidos pela Viking antepassados. E terminou na Nova Escócia e Nova Inglaterra.
Conte-nos alguns dos locais na Nova Inglaterra que desembarcou.
Eles foram para o interior até Westford em Massachusetts, porque não há rock escultura lá conhecido como o Cavaleiro Westford , que comemora a morte de um dos companheiros de Henry Earl, Sir James Gunn.
E então passamos bastante tempo no livro examinando um dos edifícios mais controversos no continente norte-americano, o Old Stone Mill, em Newport, ao qual nos referimos como a Torre de Newport . Este é um exemplo clássico de entulho construído, arquitetura românica na tradição templária de igrejas. As provas que apresentámos pensamos são conclusivos, mas estamos conscientes que as opiniões são nítidas, e eles estão divididos sobre as origens desta torre. Então, tentando convencer as pessoas é, provavelmente, um desperdício de tempo.

Você alegam que Henry Earl Sinclair morreu ali.
Ninguém sabe ao certo. Esse é um dos mistérios. A razão pela qual chegamos a essa conclusão é porque ele era uma pessoa muito importante. Ele era um conde premier da Noruega, também era um lorde escocês incrivelmente influentes e ainda, não há registro em qualquer lugar de seu funeral.
A outra razão que temos vindo a esta conclusão é que seu filho nunca foi instalado como o conde. O título foi para o seu neto, mesmo que em sua morte, seu filho seria automaticamente herdá-la. E sugerimos que ele não foi oficialmente instalado, pois ninguém sabia ao certo se o pai estava morto ou não.
Devido às ligações que tinha feito na Nova Escócia e pelo facto de [nativos americanos] espiritual tradições eram tão parecidos, nós pensamos que ele teria muito facilmente assimilados com eles. A vida desse lado do Atlântico foi, provavelmente, muito mais fácil do que isso, com os conflitos na Europa, e ele simplesmente decidiu que ele iria voltar e assimilar com eles. E, francamente, o suficiente, há pessoas lá que carregam uma grande semelhança com o Sinclairs deste lado do Atlântico.
Então você está sugerindo que a importância espiritual desta viagem é que ela une a espiritualidade gnóstica dessas famílias Templários dez com a espiritualidade do nativo americano?
Sim. Isso foi algo que nós encontramos surpreendentes ... e é comprovadamente verdadeiro. Se você olhar para algumas das citações de alguns dos místicos medievais da tradição gnóstica e algumas das citações que foram informados de 150-200 anos atrás com o povo norte-americano, eles são quase intercambiáveis ​​na sua visão espiritual do mundo.
O seu argumento de que isso é porque esta é uma espiritualidade universal encontrada em todo o mundo? Ou você está sugerindo que estes grupos tiveram contato uns com os outros antes de sua viagem?
Eu não acho que eles tiveram contato uns com os outros. Mas se há uma verdade divinamente inspirada, e Deus é misericordioso e amoroso, depois que a verdade estará sempre disponível para todas as pessoas em todo o mundo, independentemente da cultura ou do tempo.
Por que você acredita neste caminho do cristianismo foi suprimida em primeiro lugar e por isso teve de ser mantido em segredo?
Porque se você discorda com a igreja, você foi condenado por heresia.E você foi convidado para o churrasco ao lado da igreja como o item principal do menu.

sábado, 14 de maio de 2011

A Maldição de Jacques de Molay



O seguinte artigo foi originalmente escrito para templário Magazine, publicação oficial do Grande Acampamento dos Cavaleiros Templários (EUA)
Em agosto de 1308, o Papa Clemente V emitiu uma bula papal pedindo um conselho geral da igreja a ser realizada em Viena, em outubro de 1310. O objetivo do município foi tentar a questão dos encargos hediondos levantadas contra os templários pelo rei Filipe IV de França. No entanto, o conselho foi adiada um ano - não por qualquer procrastinação, mas porque a comissão papal que tinha sido dada a tarefa de recolha de provas estava tendo dificuldades. As testemunhas e testemunhos contratado um outro ou, em muitos casos, eles mesmos. Quando tudo foi dito e feito, a Comissão determinou que os Templários e sua Regra da Ordem eram ortodoxos, mas que alguns aspectos peculiares e indigno tinham sido autorizados a insinuar-se as cerimónias de iniciação templária. Aqueles que tinham reconhecido a estes erros foram absolvidos de seus pecados e reintegrado com a Igreja, como foi o caso em Chinon em Tours. Foi essa conclusão que era para ser apresentado ao Conselho de Vienne, um assunto que, se tivesse sido trazido à luz plena, teria mudado a face da história dos Templários.
Mas não foi esse o caso. Embora os pais da igreja que se reuniram no município estavam, em sua maior parte, de liquidação duvidosa de culpa das Ordens, o rei Filipe não tinha intenção de deixar o assunto morrer em favor da Ordem. Em 20 de marco de 1312, Felipe, juntamente com uma parte considerável do seu exército chegou a Vienne. Dentro de dois dias, Clemente convocou uma reunião especial com seus comissários e um número de cardeais que, em uma maioria de quatro quintos, votaram a dissolução da Ordem do Templo. O resultado foi a bula papal Vox in Excelso, escrito em 22 de Março e ler publicamente em 03 de abril. Com tantas evidências de apoio a continuação - embora modificados - a existência dos Templários, Clemente sabia que seu relatório seria recebido com resistência. Para este fim, um funcionário anunciou que qualquer pessoa que se levantou para falar com a matéria sem permissão seria excomungado. Claro que, com Philip sentado nas câmaras de conselho e seu exército sentado cá fora, havia pouco que poderia ser feito. Afinal, Clemente não queria sofrer o mesmo destino que seu antecessor Bonifácio VIII, em cuja morte, Philip tinha desempenhado um papel proeminente.
Mas mesmo na bula dissolução dos Templários, um documento de muito mais importante do que o Pergaminho de Chinon, vemos que não era culpa da Ordem, mas a reputação que foi a causa.
"Portanto, com um coração triste, não por sentença definitiva, mas pela disposição apostólica ou ordenança, que suprime, com a aprovação do conselho sagrado, a ordem dos Templários, e sua regra, o hábito eo nome, por um decreto inviolável e perpétua , e estamos inteiramente livre que qualquer um a partir de agora entrar na ordem, ou receber ou usar seu hábito, ou a pretensão de se comportar como um templário.
Naturalmente, esta foi apenas a primeira de várias bulas papais lidar com o desmantelamento de uma ordem que tinha servido a cristandade por quase dois séculos. Pouco tempo depois, Clemente emitiu a bula Ad Providam, que transferiu as propriedades dos Templários e de bens para os Hospitalários, que foram ainda autorizados a pagar os templários antiga pensão. No final, Filipe tinha conseguido destruir os Templários, mas não conseguiu adquirir qualquer dos seus bens para si próprio. Mas não seria a sua última lidar com a Ordem extinta ou dos seus membros, pois de Molay, o último Grão-Mestre dos Templários, ainda estava na prisão.

A morte de Molay

A história das últimas horas de Jacques de Molay é um passo importante para os Templários, para que vemos em seu martírio, um grande ato de resolver na hora do perigo, e um paralelo humano para os sofrimentos de Cristo na Cruz. Mas a execução de Molay, enquanto uma questão de registro histórico, tem sido grandemente embelezada ao longo dos anos para incluir a noção de que o último Grão-Mestre amaldiçoou o rei e o papa, que morreu logo depois. Embora esta história tenha formado o auge do mito dos Templários por muitos anos, cronistas início de execução de Molay mencionado na passagem. O mais confiável das contas contemporânea nos vem a continuação das Crônicas de Guillaume de Nangis. O escritor diz-nos que na Festa de São Gregório (18 de março) de Molay e outros líderes templários foram levados para a passos de Notre Dame de Paris para ouvir a decisão final de três cardeais, que havia sido acusado de determinar o seu destino. De acordo com a crônica, de Molay e Geoffrey de Charney - ao saber que eles se mantivessem na prisão pelo resto de suas vidas - interrompeu os cardeais, em protesto, retratando suas confissões pérvias. Quando Filipe soube do assunto, ele moveu-se rapidamente e mandou o mesmo destino para os líderes templários que tinha emitido para a cinqüenta e quatro cavaleiros que tinha queimado na fogueira em 1310. Naquela noite de Molay e de Charney foram levados para uma pequena ilha no rio Sena e executado.
E este é o lugar onde o mito maldição começa, para o autor da crónica diz-nos que "Eles eram vistos como tão preparado para sustentar o fogo com a mente mais fácil e que eles trouxeram de todos os que os viram muita admiração e surpresa para o constância de sua morte ea negação final ...  palavras poéticas que deveriam ter sido suficientes para consolidar a memória de Molay, no coração de todos os templários, mas outras gostaria de acrescentar à história. No conto popular, contada em muitas configurações  ao longo dos anos, de Molay não sofrer o seu destino com determinação e mente calma, mas declarou que antes do final do ano, Felipe e Clemente se encontraria com ele diante de Deus para responder pelos seus crimes . Embora seja verdade que os dois homens seguiram a morte de Molay; Clemente em 20 de abril, como resultado da sua longa doença sofrida e Philip em 29 de novembro, após ser atirado de um cavalo enquanto caçava, não era a maldição que foi responsável pela o momento de suas mortes, mas o momento de suas mortes, que foi o responsável pela maldição.
A fonte mais próxima para a história contemporânea maldição vem das palavras de Geoffrey de Paris, um funcionário do tribunal de Filipe, que escreveu em um poema de Molay que disse que Deus iria vingar os templários, pois ele sabia quem era realmente errado. Não é até 1330 que a lenda maldição começa verdadeiramente a tomar forma nas obras de um historiador italiano chamado Feretto de Ferretis, que coloca a maldição, e não na boca de Molay, mas na boca de um templário anônimo. Não até o século XVI, vemos as palavras realmente atribuída a De Molay, quando o historiador francês Paul Émile foi o primeiro a fazer a afirmação em sua Francorum gestis De rebus, publicado em 1548. Infelizmente, Emílio não foi o último eo mito de palavras morrendo de Molay tem continuado por muito tempo após a Ordem levou desapareceu nas páginas da história e da lenda.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

"Os Cavaleiros Templários no Novo Mundo"




Com o advento da internet, parece haver uma crescente onda de interesse relacionados à questão de saber se a medieval Cavaleiros Templários na verdade possuía o Santo Graal. A resposta a esta é muito simples: Não há nenhuma dúvida de que os Templários possuíam o Santo Graal.
A explicação para esta resposta, infelizmente, continua a ser um pouco complicado e, até certo ponto, muito especulativa. A chave, como eu aprendi durante a escrita de O Labirinto do Graal, é a constante "olhar além" do que parece à primeira vista, a verdadeira resposta. O raciocínio é simples, porque senão seria que tanto a Igreja eo Estado perseguir os templários até aos extremos confins da terra e torturá-los além da compaixão. Obviamente, as acusações de blasmephy eram apenas uma desculpa para justificar suas ações. Ele realmente não tem nenhuma habilidade de reconhecer que o círculo interno dos Templários possuía algo muito mais valioso que a prata eo ouro simples - algo que ameaçava a própria existência da  do Estado.
O que os Templários possuíam, e tornou-se guardiões do jurado, foi a linha ininterrupta de "conhecimento ancestral", que entre outras coisas, permitiu que o velho marinheiro a circunavegar o mundo. É agora vem à tona que o comércio entre o "Velho Mundo" eo "Novo Mundo" havia ocorrido com regularidade em todo o Neolítico até eras romana por "sociedades que estavam no segredo." Hints destas visitas e de liquidação, se afiguram revelando-se através de uma variedade de fontes, incluindo a mitologia clássica, lendas indígenas e folclore marítimo, bem como através de recentes descobertas arqueológicas.
Este conhecimento é poder puro. As sociedades que não só possuía a capacidade de controlar o sol, a lua e as estrelas, mas possuía a sabedoria inerente de manter o "segredo" de ser capaz de corrigir as posições longitudinais muito tempo antes, tornou-se prática comum, eram sociedades em constante perigo de serem exterminados . Por outro lado, aquelas sociedades que foram capazes de explorar a sua vantagem ao máximo, como os primeiros Templários gozava de um estatuto comparável com ninguém.
Em outras palavras, os Templários, e aqueles que vieram antes deles, foram concedidas a capacidade de "enxergar além" dogma da Igreja padrão para locais ainda a ser "descoberto" - o Outro mítico.
Pense nisso por um momento. Se você possui uma fonte ilimitada de matérias-primas, terras férteis e riquezas minerais, você iria revelá-la ao mundo? Não, eu não acho que você, especialmente se você estivesse no negócio de "intermediação" de paz entre as nações. Os templários certamente teria considerado este conhecimento para ser uma "dádiva de Deus." Dessa forma, os templários teriam se consideram os guardiões de um "conduto" direto entre Deus eo homem. Os Templários teriam também acredita que esta conduta do conhecimento direto dos céus se expôs através dos mistérios de Cristo. Para os Templários, esta incorporação de conhecimento celeste foi o Santo Graal.
Você pode perguntar como é que as coordenadas longitudinais pôde ser estabelecida em tempos pré-cristãos antes do desenvolvimento do cronômetro. Novamente, a resposta é simples, ainda mais complicado, de todas as possibilidades. Como o conceito de tempo começou, o homem voltou seus olhos para o céu e seguiu os caminhos dos corpos celestes. Evoluindo a partir desta atividade foi o estabelecimento de posições estratégicas de visualização, que permitiu que os "Antigos" de estabelecer "roseline" (meridianos) ao redor do mundo. Estes círculos de pedra antiga e menires encontrados ao redor do mundo, tais como Stonehenge, foram usados ​​para rastrear os caminhos conhecidos ou circuitos dos eclipses do sol e da lua.
Foi esse reconhecimento da "ordem" e "padrão" em todos que compunham o universo, o que resultou no desenvolvimento de "geometria sagrada". Como tal, a geometria sagrada foi obtido através da capacidade do homem de razão, o que significa que todos os homens possuíam o "conhecimento do Graal", através da "arte de raciocinar." Venha para pensar sobre isso, realmente não há nada "sagrado" sobre ele, além do conhecimento de que determinados egípcio "linhas reais" veio a assumir como seu direito dado por Deus .
De fato, a sociedade moderna não deve olhar para certas casas reais para capturar a "arte perdida", mas para seus guardiões históricos, incluindo os druidas celtas e irlandeses, e medieval Cavaleiros Templários. Assim, o candidato do verdadeiro Santo Graal deve seguir o caminho para a origem da tradição celta e suas raízes indo-européias. Somente quando se compreende as suas raízes um conhecimento de si. E para o candidato que é capaz de chegar à correcta aplicação do conhecimento e compreensão, sabedoria e verdade será revelada.
Fechando o círculo, estes quatro "commodities" foram os "tesouros do Graal" que o núcleo interno da Ordem dos Templários possuía. Infelizmente, mesmo navegando metade de todo o mundo no ano de 1398 com o que foi considerado uma Nova Jerusalém (atual Nova Escócia) não conseguiu impedir os templários de ser implacavelmente perseguido pela Igreja e do Estado. Portanto, ele estava no deserto de A Cadia (r) que o líder espiritual do século 14 dos Cavaleiros Templários, o príncipe Henry Sinclair, sepultado o Santo Graal, até ao momento em que uma sociedade mais esclarecida poderiam fazer melhor uso de suas virtudes.
Nesta circunstância, só se pode concluir que o Santo Graal era o conhecimento registrado of the Ancients, estabelecidas por aqueles iniciados que estavam dispostos a sacrificar suas vidas para perpetuar em palavras a conexão verdadeira entre o céu ea terra.
Lembre-se que a alma Celtic está na cabeça. Assim, os templários não permitem que seus corações para governar suas ações. Da mesma forma, o Santo Graal aguarda aqueles que praticam a arte simples de raciocínio, permitindo-lhes olhar para além das armadilhas que os esperam em sua jornada.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

COMO RECONHECER UM VERDADEIRO MESTRE ESPIRITUAL

COMO RECONHECER UM VERDADEIRO MESTRE ESPIRITUAL

(Por Omraam Mikhael Aivanhov)
Para alguns discípulos, encontrar o seu Mestre é encontrar uma mãe que aceita trazê-lo nove meses no ventre para fazê-lo nascer no mundo espiritual. E, depois de nascer, isto é, desperto, os seus olhos descobrem a beleza da Criação, os seus ouvidos ouvem a palavra divina, a sua boca saboreia alimentos celestes, os seus pés levam-no aos diferentes lugares do espaço para fazer o bem e as suas mãos aprendem a criar no mundo sutil da alma.
Muito poucas pessoas sabem o que é realmente um Mestre. Algumas leram livros que contam histórias inverossímeis: que um Mestre é perfeito, onisciente, onipotente.... que ele não tem necessidade de comer, nem de beber, nem de dormir... que ele está ao abrigo de todas as tentações e, sobretudo, que passa o seu tempo a fazer milagres, como no livro de Spalding: "A Vida dos Mestres".
Quantas pessoas não ficaram exultantes com este livro sem suspeitarem de que contém imensas histórias sem fundamento. É verdade que os grandes Mestres têm poderes excepcionais, mas não os utilizam para fazer prodígios diante de gente embasbacada. Aparecer e desaparecer, caminhar sobre as águas, voar no espaço, materializar festins, atravessar as chamas de um incêndio, fazer aparecer casas... mesmo que seja capaz de fazê-lo, um verdadeiro Mestre não o fará, pois assistir a tais espetáculos não ajuda os humanos a transformarem-se....
Um Mestre – é necessário que você o saiba – é feito como todos os outros homens: tem os mesmos órgãos, que o fazem sentir as mesmas necessidades e os mesmos desejos. E se lhe cortar um pedaço de carne, verá que seu sangue correrá e que a sua cor é vermelha como o de toda a gente! A diferença está em que a consciência de um Mestre é muito mais vasta do que a da maioria dos homens: ele tem um ideal, pontos de vista superiores e, sobretudo, conseguiu um perfeito domínio sobre si próprio. Evidentemente, para tal é necessário imenso tempo e um trabalho gigantesco, e por isso ninguém pode tornar-se Mestre numa só encarnação.
Se você encontrar um Mestre, tenha consciência de que todas as qualidades e virtudes que ele manifesta não foram adquiridas apenas nesta vida. Não, ele teve que trabalhar durante séculos, milênios até, e, como as qualidades que adquirimos pelo nosso próprio trabalho não desaparecem no momento em que temos de deixar a terra, quando regressa ele traz de novo essas qualidades. Assim, de encarnação em encarnação, ele vai adquirindo sempre novos elementos espirituais até ao dia em que torna-se um verdadeiro condutor da luz e das virtudes divinas.
Infelizmente, há também seres que se preparam durante séculos para se tornarem condutores do mal; são os mestres da magia negra. O ser humano é livre de escolher o bem e o mal. É claro que, quando escolhe o mal, mesmo que a Inteligência Cósmica o deixe continuar durante um certo tempo, ele acabará sempre por ser aniquilado, dado que, pelo seu comportamento, se opõe à ordem universal. Mas, à partida, o ser humano tem a hipótese de escolher. Enquanto vivo, é livre de se determinar num sentido ou no outro.
Alguns seres, muito raros, apesar desta liberdade que lhes é concedida, permanecem definitivamente determinados. Os grandes Iniciados, por exemplo, determinaram-se para a luz e para o amor. Alguns, é certo, caíram, mas a maioria deles permaneceram espíritos de luz. E, aliás, quanto mais tempo passa, menor é a possibilidade de mudarem de direção, pois, graças ao seu trabalho espiritual, eles foram conseguindo transformar, divinizar, a matéria do seu corpo e esta tornou-se como que um metal inoxidável, ouro puro. Contudo, enquanto um ser não chega a este estado de evolução, é sempre possível ele mudar de direção, e existem casos na História em que magos brancos tornaram-se magos negros.
Pergunte como é possível alguém tornar-se um mago negro... Na realidade, é muito fácil, mesmo para você: basta dar vazão à sua natureza inferior. Se transgredir continuamente as leis da bondade, da justiça e do amor, tentando obter êxito à custa dos outros, tentando derrotá-los, destruí-los, só poderá tornar-se um mago negro. É simples, é claro. Muitos imaginam que, para alguém se tornar um mago negro, é necessário que um mestre diabólico lhe ensine a arte dos encantamentos e dos esconjuros maléficos. Isso pode acontecer, mas, para alguém colocar-se ao serviço do mal, não é absolutamente necessário ter um mestre; sem instrutor, sem receita, sem nada, qualquer um pode tornar-se um mago negro se deixar-se guiar demasiado pela sua natureza inferior. E o mesmo se passa com um homem que só pense em ajudar e em esclarecer os outros: mesmo que não tenha um Mestre para o instruir, estará a caminho de tornar-se um mago branco.
Na realidade, cada ser humano tem um Mestre, e se não for um Mestre visível, será um Mestre invisível. Os criminosos têm, no mundo invisível, um mestre que não cessa de aconselhá-los a prejudicar os outros. E mesmo que eles digam: "Nós, um mestre? Nunca!", devem ficar a saber, estes cegos, que têm um mestre cujos conselhos perniciosos seguem dia e noite. É evidente que, quando eu lhe falo de Mestres, refiro-me sempre aos verdadeiros grandes Mestres espirituais, aos magos brancos. Sei bem que se dá este título de Mestre a muitos artesãos para se mostrar que são excelentes na sua profissão e também aos notários, aos magistrados, aos artistas, etc...
É uma maneira de ver as coisas e eu não lhes recuso este título. Mas, você deve saber que um verdadeiro Mestre, no sentido espiritual do termo, é um ser que, em primeiro lugar, conhece as verdades essenciais; não aquilo que os homens escreveram, criaram ou contaram, mas o essencial segundo a Ciência Cósmica. Em segundo lugar, um Mestre deve ter tido a vontade de dominar, dirigir e controlar tudo em si, e realizado essa vontade. Por último, esta ciência e este domínio que ele adquiriu devem servir apenas para manifestar todas as qualidades e virtudes do amor desinteressado.
É pelo seu desinteresse que reconhecerá um verdadeiro Mestre. Cada Mestre vem à terra para nela manifestar uma qualidade particular: há, portanto, Mestres da sabedoria, Mestres do amor, ou da força, ou da pureza.... Mas todos os verdadeiros grandes Mestres têm, obrigatoriamente, uma qualidade em comum: o desinteresse.
Há tantos impostores e charlatães dispostos a aproveitarem-se da ingenuidade dos humanos!
Limitaram-se a ler livrecos de ciências ocultas, muitas vezes escritos por ignorantes, e pronto!, passam a apresentar-se em todo o lado como grandes Mestres. Não trazem consigo qualquer sinal de que o Céu os reconheceu como tal; foram eles próprios que se declararam Mestres e acreditam que isso chega.
E os outros, em vez de estudarem um pouco um ser destes para ver como ele se comporta, seguem-no de olhos fechados. Ele irá enganá-los, despojá-los, subjugá-los, mas eles não se darão conta. Bom, é magnífico, eis pelo menos um ser inteligente! Os outros é que são estúpidos. Porque não procuraram saber de onde é que ele vem, como vive, quem foi seu Mestre, quem o enviou?... Ah, não, não, é inútil colocar essa questão; desde que ele lhes prometa iniciá-los em três dias – a troco de alguns milhares de dólares, é claro -, acreditam ele. Têm pressa, compreende? A iniciação não deve durar mais do que três dias. O mundo está cheio de gente desta, de burlões, de vigaristas, que se aproveitam da ingenuidade e da estupidez dos outros.
Mas eles, pelo menos, são inteligentes!
Não nego que essas pessoas possam ter alguns poderes – qualquer um, desde que se exercite, pode obter certos poderes -, mas a questão está em saber como os empregam e em que sentido. É a esse respeito que o Céu se pronuncia. O Céu não se preocupa com os meios que possui, mas com o uso que deles faça. O que conta para o Céu não é sua ciência, nem sua clarividência, nem seus poderes, mas seu desinteresse. Você pode ter a ciência, a clarividência e os poderes, mas enquanto não for desinteressado, mesmo que os humanos o reconheçam como Mestre, o Céu não o reconhecerá.
A desgraça dos humanos é a sua falta de discernimento: ao encontrarem um verdadeiro Mestre, desinteressados, desconfiarão, mas seguirão o primeiro indivíduo que apareça e lhes lance poeira para os olhos, apresentando-se como Mestre. Na realidade, um verdadeiro Mestre, nunca lhe dirá que é um Mestre, nunca; ele deixará senti-lo e compreendê-lo, não tem pressa de ser reconhecido. Um falso Mestre, pelo contrário, a partir do momento em que decretou que é um Mestre, tem somente uma idéia: impor-se aos outros.
Acabei de receber uma carta de um homem que acreditou ser capaz de tornar-se um guia espiritual: escreveu-me para contar as suas dificuldades e as suas angústias. Evidentemente, era de esperar. Por que motivo se pôs ele a enganar as pessoas com a pretensão de guiá-las, enquanto ele próprio não estava em condições de fazê-lo? Mas os humanos são assim, julgam-se capazes de guiar os outros antes de terem adquirido as virtudes necessárias: a sabedoria, o amor, a pureza, a força, o desinteresse. Não! Enquanto não se tiver recebido ordem de um ser superior para assumir a esmagadora tarefa de guiar os humanos, é muito perigoso, para quem quer que seja, querer desempenhar este papel.
Eu gostaria muito de ajudar este homem, porque vejo que ele é muito infeliz e nem sabe porquê. Imaginou que bastava ler alguns livros de ciências ocultas e pôs-se a evocar as forças poderosas do mundo invisível para as utilizar, sem ter aprendido previamente a entrar em harmonia com elas. Pois bem, quando assim é, essas forças vingam-se e dizem:
"Porque procura servir-se de nós para satisfazer os seus caprichos? Nós não queremos submeter-nos a você. É fraco e ignorante e merece uma boa lição."
Quantos pretensos ocultistas não têm sequer um verdadeiro conhecimento das leis do mundo espiritual! Pode crer: eles leram alguns livros e, sem se prepararem, querem fazer figuras aos olhos de alguns discípulos, realizando prodígios perante eles. Pois bem, não é assim que se deve fazer.
Para se assumir o papel de guia espiritual, é necessário ter-se recebido um diploma, pois no mundo espiritual também se recebem diplomas. Os diplomas que existem no plano físico têm a sua correspondência no plano espiritual, à imagem do qual o plano físico foi criado. Os espíritos luminosos que nos enviaram à terra observam-nos, medem-nos e, se vêem que fizemos esforços, que conseguimos dominar-nos e corrigir alguns dos nossos defeitos, dão-nos o diploma. E onde está esse diploma? Não será um papel, que pode ser apagado ou destruído. É como um selo que se imprime no nosso rosto e em todo o nosso corpo, para mostrar que obtivemos vitórias sobre nós próprios.
Talvez os humanos não vejam isso, mas todos os espíritos da natureza, todos os espíritos luminosos, o vêem, mesmo de longe, e então obedecem-nos e ajudam-nos.
Sim, para se ter o direito de executar certas tarefas no plano espiritual, é necessário obter também a aprovação de certos seres, e não pense que é fácil. Muitas pessoas acham que os estudos necessários para se obter o diploma de educador ou de professor são muito demorados e difíceis. Mas isso não é nada, nada mesmo, comparado com as condições que têm que ser preenchidas por aqueles que querem ensinar aos discípulos as verdades da ciência iniciática.
Eu fico sempre espantado ao ver a ignorância e a ingenuidade das pessoas perante esta questão: todas, ou quase todas, crêem que estão à altura de poder usar o título de Mestre, imaginam que ele caiu assim do céu, já perfeito, sem ter realizado o mínimo esforço.
Pois bem, você não encontrará criatura alguma que tenha vindo perfeita à terra. Quer a mostrem, quer a escondam, todos têm a fraqueza, ou mesmo várias.
Até os grandes Iniciados têm pelo menos uma fraqueza; por vezes é o medo, outras vezes o orgulho, ou a avareza, ou até a sensualidade. Mas a superioridade de um Iniciado advém-lhe, em primeiro lugar, de ele estar consciente dessa fraqueza e, em segundo lugar, do fato de empregar todos os meios para triunfar sobre ela.
Qualquer ser, independentemente da elevação do seu espírito, ao encarnar na terra, recebe dos pais como herança uma matéria mais ou menos defeituosa que deverá transformar, o que conseguirá graças às suas qualidades e virtudes. E, quando o consegue, alcança uma elevação ainda maior, porque foi capaz de transformar uma matéria bruta em uma matéria elaborada de que poderá servir-se para o seu trabalho. É, pois, nos Iniciados que se descobre verdadeiramente a força do espírito, pois eles conseguem dominar tudo, ao passo que a maioria dos humanos arrasta consigo, durante toda a vida, defeitos que não consegue vencer.
No entanto, também é necessário que se saiba que um Iniciado vem à terra trazendo com ele as qualidades sobre as quais trabalhou nas encarnações precedentes. Graças a essas qualidades, ele afasta-se instintivamente do mau caminho e direciona-se, pelo contrário, para atividades construtivas, luminosas. Mesmo que não se lembre de nada, ele é impelido, sem se aperceber, a caminhar na mesma direção que seguiu no passado. Pela minha parte, durante muito tempo não tive qualquer lembrança das minhas encarnações, mas nasci nesta vida com marcas, registros, que me impeliram em uma determinada direção.