Krak dos Cavaleiros

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

OS CÁTAROS

Quem eram?
Como viviam?
Por que tão pouca coisas deles nos restaram?

Castelo de Foix
O único testemunho concreto de sua existência, além dos documentos
eclesiáticos, são os castelos em que habitavam.

É comum suceder com freqüência que todas as culturas que mais nos atraem são
aquelas das quais não há ficado quase nenhum rastro e das quais não dispomos
de demasiadas referências para conhece-las, como é o caso dos cátaros, de
onde quase que o único testemunho de sua existência advém dos castelos onde
habitavam. É por isso que todas estas culturas e religiões despertam grande
curiosidade e interesse, e as envolvem um alento de mistério.
O chamado "Pays Cathare" (País Cátaro) se extendia pela zona chamada
Occitania , atual Languedoc, em uma extensão fronteiriça com Toulouse até o
oeste, nos Pirineus até o sul, e no Mediterráneo até o leste. Em definitivo,
uma área política que, durante o século XIII e em plena época medieval,
limitava-se com a Coroa de Aragão, França e condados independentes como o de
Foix e Toulouse.

A IDADE MÉDIA, UMA ETAPA MARCADA PELA VIOLÊNCIA RELIGIOSA, COORDENADA PELA
SEDE DE PODER DA IGREJA CATÓLICA ROMANA A Idade Média é uma etapa da
história muito marcada pela pressão religiosa, imposta desde Roma e
materializada através da tão temida Inquisição e nas Cruzadas, tanto na
Tierra Santa como pela Reconquista da Península Ibérica dos mouros.

O CATARISMO CHOCOU-SE FRONTALMENTE COM O DOGMATISMO DA IGREJA DE ROMA A
religião cátara propunha, como aspectos básicos, a reencarnação do espírito,
a concepção da terra como materialização do Mal, por encher a alma de
desejos e prende-la às coisas efêmeras do mundo, e do céu como a do Bem,
numa concepção dualista do mundo. Mas o principal ponto dediscordância, e
talvez o mais original, tenha sido a de que os cátaros não admitiam qualquer
tipo de intemediação entre o homem e Deus. Eles insistiam em que todos
podiam e tinham o direito de vivenciarem diretamente a dimensão do
transcendente, através de estados alterados de consciência. Esta crença
chocou-se frontalmente com a religião romana, hegemônica em toda Europa, e
base da estrutura social, cultural econômica e religiosa do Feudalismo.
Durante muito tempo os cátaros foram tolerantes e eram relativamente poucos.
Sem embargo o catarismo, com o tempo, se foi fazendo forte e començou a
extender-se pela Occitania, até chegar a um ponto em que resultava demasiado
incômodo tanto para Roma como para a França.

UMA ONDA HEREGE NA EUROPA FOI O DETONANTE DAS CRUZADAS
Puilarens um bastião religioso no centro da Europa não fazia mais que
estorvar a cristalização do cristianismo de Roma no continente, e um
território não católico era um pretexto ideal da Coroa da França para anexar
as terras do Languedoc e expandir-se. Por esta razão, e também pela força
que assumiu o catarismo em 1209, o infalível Papa Inocêncio II estimulou os
fiéis a ir para as cruzadas contra os que, hoje, conhecemos como hereges,
sendo esta a primeira cruzada feita contra cristãos e em território franco.
O presente que o santo Papa prometeu em compensação para aqueles que
participaram da campanha era a partilha e doação das terras aos barões que
as conquistassem, ou seja, converter-se-iam em senhores feudais.

O mais curioso nesta cultura é a cautela por construir seus castelos e
abadias em cima de precipícios e inacessiveis colinas, as mais elevadas
possíveis, razão pela qual, na atualidade, os fazem muito atrativos por suas
inabarcaveis vistas sobre o horizonte e pela observação de paisagens
impresionantes.

A CRUZADA ALBIGESA Nesta cruzada, que teve lugar sob o nome de Albigense
devido à cidade de Albi, se recorreu a Simon de Montfort (1209 - 1224) e ao
Rei Luis VIII (1226-1229), mas eles não conseguiram erradicar o catarismo de
forma definitiva. Foi a Inquisição (1233 -1321), a instituição que realmente
o conseguio. Não obstante foram os barões provenientes da coroa de França os
que fundamentalmente fizeram a expansão dos francos até os Pirineus e
amenizaram a retaguarda da Coroa de Aragão, mais preocupada com a
Reconquista contra os árabes das terras do sul, com a expansão marinha até
as ilhas Baleares, Córcega e Nápoles.

POLÍTICA E RELIGIÃO, DUAS CLARAS DESVANTAGENS A resistência cátara teve que
enfrentar-se com duas desventagens muito importantes: o poder militar do Rei
de França e o poder espiritual da Igreja Católica. Militarmente, a pesar de
terem o apóio de pequenos condados, como o de Foix, e o da Coroa de Aragão
contra a da França, não se ienvolveram de forma aberta ja que haveria
significado o enfrentamento entre Roma e França. Se isto era assim, como se
explica então o apóio que davam aos cátaros? Está claro que a anexão das
terras cátaras à Coroa Francesa havia dado unm poder enorme, respeito de
outros condados, a aquele que as possuiram. Estes feitos nos fazem expor
algumas perguntas dignas de história de ficcão:

A não ser pelas barreiras naturais dos Pirineus, a expansão francesa haveria
continuado até o sul?

Se os cátaros não haviam apresentado uma resistência tão forte, como o
catarismo se tinha extendido até à Coroa de Aragão e outras partes da
Europa?

Um comentário:

  1. Meus parabéns caro Irmão. Tenho orgulho em caminhar ao teu lado. Seus escritos são formidáveis. Continue assim. Fraterno abraço

    ACC Cairo

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